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    Clevane 
    Pessoa de Araújo Lopes 


    MULHER[ES]

    Mulher menina,
    mulher felina,
    mulher de malandro,
    mulher de escafandro,
    camioneira, lavadeira,copeira
    garçonete,femme, fêmea,
    woman,cientista,ilusionista,
    lavradora,pintora, professora...
    Mulher apenas, fruto de penas,
    falenas,grandes ou pequenas...
    Mulheres intuitivas,
    mulheres esquivas,
    atiradas, sobrecarregadas,
    apaixonadas, bem
    e mal-amadas...
    Transparentes, intransigentes,
    ardentes,inconseqüëntes,
    tortas e direitas, certas
    e erradas,
    sempre valentes,
    mesmo se parecem acovardadas...
    Mulheres loucas, nlouquecidas,
    redentoras, redimidas, provedoras,
    analfabetas, doutoras
    donas de casa, donas de nada,
    patroas e empregadas,
    mucamas ou sinhás no tempo antigo,
    balconistas, artistas,
    executivas,executadas,
    livres e aprisionadas,
    vítimas e agressoras,
    agressivas, esquivas,
    tímidas e rapaces,
    pessoas com necessidades de enlaces,
    pessoas fugindo da raia,
    voando, se libertando,
    chegando, partindo...Ah que lindo ser MULHER,
    todas mulheres em MIM
    gritam sonâncias, relembranças, momentos,
    emprestam suas vivências,
    sussurram segredos,
    explicam receitas,
    sangram, riem ou choram...
    Tenho um átimo de cada mulher
    do Mundo nas minha feições,
    na minha alminha,
    essa adulta sempre menina,
    essa criança sempre madura,
    erotíssima e tão pura...
    Todas cantam e choram em meu self,
    pois todas nós estamos nas demais
    em traços infinitesimais
    -e nenhum homem parece
    entender a prece
    que em uníssono entoamos
    umas pelas outras, sempr...

    >>>***<<<

    A Natureza e os sons...

    [excertos]

    Canta a Natureza, sim, nos sons
    dos ventos, das brisas e até dos ciclones,
    no rugido dos mares nas tempestade e sem elas
    no resfolegar erótico e rouco
    de quando se arrasta pelas areias
    ou tem embates com as rochas
    que escarpa , esfregando-se,modelando...
    Nos sussurros das folhas presas nos galhos,
    virgens a querer libertar-se, mas tendo
    que esperar o tempo certo
    [a não ser que uma intempérie aconteça
    e as arranque, brutalmente...],
    a Natureza espressa-se...
    Canta canções estranhas, que similares
    a uivos de lobos , respondem
    a chamados que não podemos escutar...
    Murmura encantamentos,
    nos fundos dos riachos,
    ao polir os seixos rolados,
    em milênios de configuração secreta...
    A Natureza chora,
    dentro dos lençois d´água que refrescam
    o útero de forças telúricas, mas quer
    conhecer a superfície negada...
    Às vezes chora sem lágrimas, nas ecas devastadoras,
    nos incêndios que devoram
    suas verdes expressões, seus animais
    seu musgos e a vida efêmera mas necessária dos insetos...
    A Natureza gargalha, quando vence e avança apesar de...
    Há sons inaudíveis entre os elementais,
    que não podemos decodificar...
    Há tantos encontros perfeitamente mágicos,
    nas reproduções sexuais
    dentro do insondável ,o mistério
    da multiplicação, todos
    com o som exato
    do instante inici[ação]ado...
    do momento ex-ato...
    E o rápido movimento das asas
    de insetos e de aves, todo o tempo?
    E as bagas que estalam e se abrem
    para cumprir seus ciclos?
    E os ovos que se abrem?
    E os galhos que se partem?
    E os beijos em sons úmidos,
    na intimidade dos seres?

    Tantos sons, na sinfonia sempiterna
    na qual tantos sequer prestam atenção,
    mas que provocam ondas vibratórias
    lindas, em concertos impagáveis,
    a sugerir joelhos dobrados
    em agradecimento, em oração,
    sobre a Terra, sobre a terra...
    a fazercom que se dance, em espirais
    simétricas e ritmadas...
    Tantos sons, tantos sons!
    E a eles, junto aplausos,
    a essa Natureza tão imitada
    jamais igualada totalmente...
    Clap-clap-clap...
    Cri...cri...cri...
    Tchabum!
    Ploft...Ploft..
    plic...
    zzzzzzzzzzzzzzzz

    >>>****<<<<

    Dos segredos

    A mulher é qual a mata:
    parece misteriosa,ignota
    mas quem ousa penetrá-la
    encontra os segredos das sementes
    e do homem...

    Flores se abrem,
    bagas estalam
    revelando possibilidades
    de multiplicação...

    Frutos se penduram
    esperando o tempo certo
    da maturação...

    Gotas de orvalho e chuva
    se armazenam
    em recônditos, estruturas
    musgos e liquens,
    acamurçam troncos úmidos...

    Insetos, aves, animais invisíveis
    vivem seus ciclos vitais...
    Há sebes virgens
    há bosques jovens
    há florestas antigas
    há pomares consagrados
    programados...

    Cabe ao curioso aventureiro
    ter muita intrepidez
    mas também paciência
    [Clevane Pessoa de Araújo Lopes]

    biografia:

    Nasceu no Rio Grande do Norte,mas está residindo em Minas gerais.
    Psicóloga,contista,poetisa e ilustradora,oficineira de Poesia.Militou na imprensa mineira nos Anos de Chumbo,da Ditadura Militar,sempre lutando com palavras pela liberdade de ser.
    Dois livros de poesia:Sombras feitas de Luz e Asas de Água[plurarts editora,de Belo Horiznte].Participa de mais de trinta antologias literárias.
    É co-autora,nos capítulos de Homossexualidade e Sexualidade do Adolescente,no compêndio'Adolescência,Aspectos Clínicos e Psico-sociais',da editora ArtMed,de Porto Alegre,RS.
    Oficineira em assuntos de Adolescência ,realiza treinamentos para profissionais,adolescentes e pais.Como palestrista,aborda assuntos tanto na área de psicologia,quanto na de Literatura.
    Possui quinze e-books,na Biblioteca Virtual do CEN[Portal Brasil -Portugal]e da ABVL,entre outras da Internet.
    Sua luta de cunho social a acompanhapor toda a sua vida e se reflete em seus escritos.
    Mereceu vários prêmios,entre osquais o Primeiro Lugar de Crônica,troféu Contraponto,o primeiro lugar de Conto,Prêmio ex-aeqüo nos XXIII Jogos Florais do Algarve.
    Possui alguns sites,e em seu blog,sempre à disposição de outros poetas e literatos,artistas e educadores,publica textos que lhe enviam para triagem e os que escolhe[www.clevanepessoa.net/blog.php].
    Possui poster poemas,poster de trovas e escreve em jornais e revistas virtuais.
    Transita livremente pela Poesia,da trova edo cordelà Poesia Concreta,ao poetrix,ao haicais,passando pelos clássicos,como o soneto.
    É viúva do Engenheiro Civil Eduardo Lopes da Silva,mãe de Cleanton Alessandro[bass-man] e Gabriel[massoterapeuta].
    Considera a Poesia sua necessidade plena.Escreve-a desde a infância.

    asasdeborboleta16@gmail.com

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