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Vanderlei Pinto de Oliveira
Nacionalidad:
Brasil
E-mail:
Biografia

Dos Amigos Que Tenho

Me indagaram certa feita
Se é triste viver solito,
Sem ter a china que espera
Minha volta pro ranchito

Me golpeou o pensamento
E afundou dentro do peito
Será que sou diferente,
Por ser assim do meu jeito

Das coisas simples que faço
Eu tiro o meu sustento
E me basta tudo o que tenho
Pois assim já me contento

Um potro, apartei pra lida
E domei pro meu arreio
Troca a orelha sempre alerta
E se vem mascando o freio

Pra tirar zebu do mato
O ovelheiro preto manchado
E um cusco baio coleira
Que não sai do meu costado

E quando o minuano xucro
Galopeia na coxilha
Acendo o fogo de chão
Com cerne de curunilha

Uma cambona de água quente
Um porongo bem cevado
E um quero-quero que canta
Do outro lado do alambrado

Um pica-pau que fez ninho
No galho seco da figueira
O João-de-barro ergueu o rancho
Sobre o moirão da porteira

São os amigos que tenho
É o que Deus reservou pra mim
Mas não lamento, pois me basta
E sou feliz vivendo assim

Nunca quis riqueza e fama
Pois não sei viver com luxo
O que mais posso querer
Se Deus já me fez gaúcho!!

15/12/09

Onde Andarão os Caudilhos

De que valem os freios de ouro
O que adianta ter bons cavalos
Se não houver no Rio Grande
Homens campeiros pra montá-los;

O xucro ofício da campanha
Não se aprende na faculdade
E os costumes das estâncias
São diferentes da cidade;

Será mesmo que a evolução
Vai secar nossas vertentes
Matando assim as raízes
Dos homens de antigamente;

Rendilha e bocal pendurados
Esporas e um maneador
Maneias-de-trava e cabrestos
A espera de um domador;

Não se vê mais candeeiros
Pelas frestas do galpão
Nossa história vai se apagando
Junto com Fogo de Chão;

Nossa pilcha não é modismo
Pois não se muda a Cultura
Nosso mate já está lavado
Pois a erva já não é pura

Onde andarão os tropeiros
Que varavam madrugadas
Já não se ouve o eco do grito
Nem se vê rastros pela estrada;

Os potros perderam a doma
E não \'pelexaram\' na primavera
Os campos viraram matos
E as fazendas estão taperas;

Que viva a essência do pago
E nossas glórias de outrora
Que se cultive a tradição
Sejamos os Farrapos de agora;

Que este orgulho não morra
Nem nosso sangue ainda puro
Que os caudilhos sigam em frente
Pras gerações do futuro;

Que São Pedro, o capataz
Abençoe o nosso chão
Pra que nunca fique um gaúcho
Só de freio e pelêgo na mão!

23/06/2010

À Bandeira da República

No galope do minuano
Tremula a velha bandeira
Testemunha e companheira
Da epopéia farroupilha
Quando andou nestas coxilhas
Nas mãos do negro farrapo
E mesmo virada em trapo
Não deixou de ser caudilha;

Quantas lutas presenciastes
Por estes rincões do pampa
Mantendo firme a estampa
Do gaúcho em sua essência
E o sonho de independência
Que, plantado sobre este chão
Criou forma de coração
E transformou-se em Querência;

Apesar de tantos invernos
Mantivestes viva a cor
Do sagrado pendão tricolor
Que em muitos pagos andou
E tantas glórias guardou
Pois ainda carrega a marca
Do sangue de algum monarca
Que por cima de ti tombou;

Imagino, velha bandeira
Que se pudesses falar
Haverias de contar
Das noites de invernias
Ou dos atos de valentia
Que ainda guardas na memória
Pois fizeste parte da história
Que o gaúcho escreveu um dia;

E hoje, quando te vejo
Sempre me vem na lembrança
A silhueta de uma lança
Que um farrapo traz na mão
Pra cumprir a nobre missão
De defender esta terra
Nos tempos da Grande Guerra
Que demarcou este chão;

Mas estes tempos passaram
E pelos rincões do pampa
Não se vê mais a estampa
Do gaúcho peleador
Que sem receio ou temor
Lutou por mais igualdade
E mostrou que a liberdade
Se conquista com amor;

Onde andará o nosso orgulho ?
Me responda, velha bandeira !
Será que se perdeu na poeira
Nos corredores do pago?
Como a água do mate-amargo
Que aos poucos se vai embora
Levando um pouco da história
Que bebemos trago a trago;

Bandeira velha, farrapa
No passado foi legendária
Hoje triste e solitária
À espera de um companheiro
Que no calor do entrevero
Pudesse tentear a sorte
Ou mesmo depois da morte
Lhe servisse de baixeiro;

Trago sempre de à cabresto
O desejo ainda puro
Que nossos filhos, no futuro
Preservem o teu passado
E que sempre bem pilchado
Sem ostentar muito luxo
Ainda reste um gaúcho
Em guarda no teu costado;

Bandeira; sei que no mundo
Ninguém fica pra semente
E um dia certamente
No pago eu nunca mais ande
Mas eu quero que alguém mande
Me colocar no puro chão
E em cima do meu caixão
Uma bandeira do Rio Grande.

29/09/2009

biografia:
Vanderlei Pinto de Oliveira

Nascido em Canguçu, no Sul do Estado do Rio Grande do Sul, neto de uruguaios de origem ibérica pelo lado paterno e descendente de indígenas pelo lado materno, sou Vanderlei Pinto de Oliveira, segundo filho de Valnei Almeida de Oliveira e Zaira Pinto de Oliveira, campesinos por origem e gaúchos de alma e coração.Irmão do matemático e tradicionalista, professor Claudiomar Pinto de Oliveira.
Cresci no campo ouvindo o berro do gado,o relinchar dos potros e o cantar do quero-queros.Gaúcho de nascimento e coração, desde cedo interessei-me pelos costumes e tradições da minha terra.Formei-me o Primário, Secundário e hoje estou cursando Licenciatura em Geografia pela Universidade Federal de Pelotas-UFPEL; além disso trabalho no comércio local e escrevo poesias com temas variados, com ênfase maior para a cultura gaúcha e ibero-americana.
Abraços
Vanderlei Oliveira
\'El Gaucho\'

vpo83@yahoo.com.br

 

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