“Nas Pegadas do Poeta” percorrerá Santiago, Valparaíso, Viña del Mar, Melipilla, Rancagua, San Fernando, Isla Negra, Cartagena e outras localidades entre 13 e 22 de novembro
SANTIAGO, CHILE. — A poesia voltará a percorrer o Chile em novembro de 2026 com a realização do XX Encontro Internacional de Poetas do Mundo, “Nas Pegadas do Poeta”, uma iniciativa internacional que reunirá durante dez dias escritores e poetas provenientes de diferentes países e continentes.
De 13 a 22 de novembro, os participantes percorrerão uma parte significativa do território chileno, levando suas vozes a universidades, escolas, bibliotecas, museus, organizações sociais e outros espaços de encontro com as comunidades.
O itinerário inclui Santiago, Valparaíso, Viña del Mar, Huechuraba, Melipilla, Rancagua, San Fernando, Pomaire, Isla Negra e Cartagena, em um percurso que busca unir literatura, território, memória e participação cidadã.
Não se trata simplesmente de um festival literário. Para seus organizadores, o encontro constitui uma verdadeira peregrinação poética, na qual a palavra deixa os livros e os palcos tradicionais para encontrar diretamente as pessoas.
Uma tradição que começou em 2005
O encontro faz parte da história dos Poetas do Mundo, movimento internacional fundado em outubro de 2005 pelo poeta chileno Luis Arias Manzo, que atualmente reúne mais de 9 mil poetas de 143 países.
Desde sua origem, o movimento promove uma concepção de poesia ligada não apenas à criação artística, mas também à consciência, à fraternidade entre os povos, à paz e à preservação do meio ambiente.
Seu lema é:
“Pela Paz e pela Preservação do Meio Ambiente.”
Nesse contexto, o encontro chileno tornou-se uma das principais atividades internacionais dos Poetas do Mundo, reunindo novamente no país de origem da organização poetas de diferentes culturas e idiomas.
De Santiago a Valparaíso: seguindo os passos de Neruda e Mistral
O percurso começará na sexta-feira, 13 de novembro, em Santiago, com a chegada das delegações internacionais, credenciamento e instalação no hotel. Naquela noite será realizada uma cerimônia de boas-vindas com poetas, escritores e autoridades de Santiago.
O sábado será marcado pela memória de Pablo Neruda. Depois de conhecer o tradicional bairro Brasil e o Mercado Central, a delegação visitará La Chascona, a casa-museu do poeta ganhador do Prêmio Nobel, onde será realizada uma leitura poética em seu anfiteatro.
No domingo, dia 15, a caravana seguirá para Valparaíso, cidade profundamente ligada à vida e à obra de Neruda. O programa inclui uma visita a La Sebastiana, outra de suas casas-museu, seguida de uma leitura poética na Plaza de los Poetas.
A jornada continuará em Viña del Mar, onde será realizado outro encontro poético.
A escolha desses lugares não é casual. O Chile também é a terra de Gabriela Mistral, outra figura universal da poesia, e de uma tradição literária que projetou o país muito além de suas fronteiras.
A poesia entra nas escolas
Uma das características que distingue o encontro é justamente a decisão de levar os poetas a espaços onde a poesia normalmente não ocupa o centro da atividade cultural.
Na segunda-feira, dia 16, a delegação viajará para Huechuraba, onde haverá uma apresentação na biblioteca municipal e, posteriormente, leituras poéticas em escolas.
Depois do almoço, os poetas seguirão para Melipilla, iniciando uma nova etapa da viagem.
A cidade terá uma presença particularmente importante no encontro, pois será sede de várias atividades e servirá como principal base para boa parte da programação dos últimos dias.
Melipilla, Rancagua e San Fernando
Na tarde do dia 16 de novembro, os participantes se instalarão em Melipilla e, à noite, será realizado um encontro poético.
No dia seguinte, terça-feira, 17, a caravana seguirá para Rancagua, onde haverá um encontro na Biblioteca Municipal e uma atividade com a Fundação Óscar Castro, antes da continuação da viagem até San Fernando.
Na cidade serão realizadas novas atividades culturais e uma apresentação vinculada a uma manifestação tradicional chilena.
A poesia continuará também no dia seguinte em instituições educacionais de San Fernando, antes do retorno da delegação a Melipilla.
Pomaire, Isla Negra e Cartagena
A quinta-feira, dia 19, será dedicada principalmente a Melipilla, com apresentações em escolas e posteriormente uma visita a Pomaire, localidade conhecida por seu artesanato tradicional e patrimônio cultural.
O dia terminará com um jantar na comunidade.
Na sexta-feira, dia 20, os poetas voltarão em direção ao litoral. O programa prevê uma visita a Isla Negra e à Casa-Museu de Pablo Neruda, seguida de uma visita a Cartagena, onde conhecerão o museu dedicado ao poeta Vicente Huidobro, outra grande figura da literatura chilena e latino-americana.
Dessa maneira, o percurso permitirá aos visitantes internacionais conhecer diferentes dimensões da história cultural chilena: de Neruda e Huidobro às tradições populares, comunidades locais e espaços educacionais.
Uma poesia que procura encontrar a sociedade
O sábado, dia 21, será dedicado ao descanso durante a manhã, enquanto à tarde estão previstas leituras poéticas em organizações sociais de Melipilla.
À noite acontecerá a cerimônia oficial de encerramento no Centro Cultural Edetrem de Melipilla, encerrando dez dias de atividades e deslocamentos por diferentes localidades do Chile.
No domingo, dia 22, os participantes iniciarão seu retorno aos respectivos países.
Para os organizadores, porém, o verdadeiro encerramento do encontro não estará necessariamente no último evento.
A experiência continuará nas cidades e países para os quais os participantes retornarão, levando consigo tudo o que vivenciaram no Chile.
Um encontro independente
Um aspecto importante da iniciativa é seu caráter independente.
O encontro não recebe subsídios para cobrir as despesas pessoais dos participantes. Os custos de viagem e hospedagem são assumidos por cada poeta, enquanto os Poetas do Mundo oferecem a logística, a coordenação e a rede de apoio necessária para a realização das atividades.
Essa modalidade corresponde a um princípio mantido pelo movimento desde sua origem: uma organização cultural independente, sem vínculos políticos, religiosos ou institucionais, sustentada principalmente pelo compromisso voluntário de seus integrantes.
Seus organizadores acreditam na reunião daqueles que compartilham a convicção de que “a poesia pode contribuir para a construção de um mundo mais humano, consciente e solidário”.
Uma caravana pela paz e pela vida
“Nas Pegadas do Poeta” propõe, assim, uma experiência que vai muito além das leituras de poesia.
É uma viagem pelo Chile, mas também uma viagem por sua memória cultural; um encontro entre pessoas de diferentes países e uma oportunidade para que a poesia dialogue com estudantes, trabalhadores, organizações sociais, artistas e comunidades locais.
Em um mundo marcado por guerras, crises ambientais, desigualdades e profundas divisões, os organizadores defendem que a poesia ainda tem uma missão a cumprir: despertar consciências, aproximar as pessoas e defender o direito à vida em todas as suas formas.
Desde as primeiras experiências internacionais surgidas no âmbito dos Poetas do Mundo, a palavra continua viajando de um país para outro.
Em novembro, ela voltará a viajar pelo Chile.
Desta vez, seguindo as pegadas daqueles que fizeram da poesia uma forma de memória, consciência e esperança.
Porque a poesia não conhece fronteiras.