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Osmar S Machado Jnior
Nacionalidad:
Brasil
E-mail:
Biografia

DO TODO DA PARTE PRIVADA
Osmar Machado Jr.

De réis em réis fez-se trono,
De trono em trono fez rei,
Do alto pro baixo fez lei,
De lei a lei vem abandono,
Pra cada qual o seu dono,
Pra cada dono seu mundo,
Pra todo mundo no fundo
Ser doutro uma parte estranha,
Com seu quantum que barganha
Pequeno mundo fecundo.

Privadas partes componha
Ser privado toda parte,
Tudo que pra mais destarte,
Privado até do que sonha,
Com a parte que lhe imponha,
Dada como parte dor
[É que dor tem seu valor]
É repartido o homem todo,
De lodo, a engodo, a mais lodo,
De despeito a desamor.

Sagrada a parte privada
Profano vive seu homem,
Privados da ceia que comem,
Privados na teia forjada
Duma força tão danada,
Causa mãe de todo dano,
Entra é homem pelo cano,
Entope, rasga e lasca,
E na santa ninguém tasca
De tal variado arcano.

Demais que seja barroco,
Demais natural rebojo,
Por toda parte dá nojo,
Tanto discurso de rouco,
Tanto santo de pau oco
Que diz estar perdoado,
Menor ou maior Estado,
Parte por parte se inunda,
Todo por todo se imunda
Parte do todo privado.

TERCEIRA MARGEM

Cortando vales, dando alimento a terra,
camarada Rio,
se esparsa nos teus cristais d\'água,
milhões de aves te rasgam vôo,
peixes habitam tua fonte.

Mesmo na seca esculpido
Com ardente natureza morta
Continuaste vivo.

Quanta guerra e paz,
Carne e sangue lhe ofereceram?
Agora dizem por aí:
Calem o canto ás lavadeiras!
Mingúem o riso das crianças!

Será preciso lhe criar outra margem
Para além do sonho,
Para além da realidade?

É que o rio do homem é solitário,
camarada Rio,
inda não tem tantas braças;
mas deixa eu ser tua corrente,
ser tua terceira margem.
Se viveste - serei líquido na torrente;
se morreste - serei riacho... córrego...
... até inundar-me de pedras...
...seco...

A Fabulosa História do Reino-Sem-Razão

Aventuras fabulosas
Nunca foram meu afã,
Resolvi escrever essa
Com a paz de Oxalufã,
Que nos sete pés aprume,
Amarre, sele, e arrume
E nunca a deixe insã.

Que depois de fecundada
Nasça viva ou nasça morta,
Dê é gosto, contragosto,
Fique ereta ou se entorta,
Já não é do meu problema,
Pra quem não ler tem o lema:
O caminho é o da porta.

Para serventia da casa,
Vou contar a fantasia,
Duma terra que só reina
A mais imensa alegria;
É terra de homem novo,
Onde até rei é do povo
E o abecê é poesia.

É o Reino-Sem-Razão,
Pra lá de São Saruê,
Leitor não ouviu falar,
É que não tem lá TV,
Rádio, celular e Net
Só se chega com o frete
Da estação Berê-Bedê.

Pegue o buzu utopia,
Que passa no infinito,
A parada obrigatória
É no vale do Sem-Mito,
Na comuna Sem-Usura
Onde a vida inda é dura,
Porém não se vive aflito.

Conte menos dum segundo,
É o Reino-Sem-Razão;
Quando se chega não sabe,
Lá não existe estação,
Só um letreiro chinfrim
Que diz: \'companheiro o fim
Também é iniciação\'.

Crianças não sem razão
São os mais belos Erês;
As escolas não castigam
São verdadeiros Ilês,
Ensinam sabedorias
Das antigas profecias
Contra nossa estupidez.

Não há razão pra apanhar
Em casa nem na escola,
Não há menino de rua,
Não há razão pra esmola;
Alegres nos zunzunzuns,
Cantarolam ratibuns
Ou então se joga bola.

Jovens escrevem bons versos,
Exercitam profissões,
Amam calorosamente
Sem razões prá perversões,
Não são bestas otimistas
Nem são os \'sábios\' niilistas,
Cultivam as emoções.

A tal de contracultura,
Mal que ataca a juventude,
É conversa das antigas
De gente sem atitude,
Só nega, se não afirma
O que por razão confirma
Num curto sol amiúde.

Jovem e trabalhador
No reino são unidos
Como flor e beija-flor,
Todos os dois entendidos;
A teoria e a prática,
A estratégia e a tática,
Fazem parte dos sentidos.

Avante, os peões massudos
Sem razão prá ilusão;
Avante, a gente humilde,
O quebranto de opressão
Brilha como pirilampo
Ao anoitecer do campo,
Encandeia a criação.

Trabalhador é humano
Sem razão pra ser camelo;
Fortes braços, mentes sábias
Fazem seu próprio novelo;
Sem nenhum desassossego,
Sem razão para arrego
Não ferra o lombo com selo.

Quando adoece no reino
Omolu, Obaluaê
E Caruana são médicos,
Não deixa o povo à mercê,
Medicina companheira
Sem razão de fileira,
Sem demais bereguedê.

Num passeio pelo reino
Se escuta um baticum,
Ancião tocando samba,
Coco num ziriguidum,
O velho aposentado
No reino não é atado,
Faz é muito batifum.

Os poetas são populares,
No reino se pode ver:
Décima no pé-quebrado
É bonito de se ler,
Versos cruzados e motes
Não precisam de dotes
Prá ser capaz de fazer.

Sem razão prá ser difícil
O verso sai é perfeito,
Sem razão de não ser lido
Se forma dentro do peito,
O verso não é loucura
E o poema perdura
Se a metáfora tem jeito.

O poeta canta a vida,
Observa co\'a agudeza,
Tem olhar duma águia,
É livre na natureza;
Canta o trigo, canta o pão,
Canta o universo e o grão
Com precisão e certeza.

Como o leitor pode ver,
Nesse reino rei não cabe;
O artifício é a fábula,
O leitor também já sabe,
Então prossigo a história
Com um rei sem memória
Nem razão de que se gabe.

No reino há muito tempo
Houve um grande clarão,
Como os raios de Xangô
Romperam num só trovão,
Era a luz do justiceiro
A alumiar o terreiro,
Acender toda nação.

Foi nobre desmiolado,
Invertendo suas cabeças;
Foi a plebe revoltada,
Tudo ficou às avessas;
O rei sem razão de ser
Ficou sem nenhum poder -
O reino foi às travessas.

Do reino mudou-se o nome,
Sem-razão foi batizado;
Se deu novo equilíbrio,
Como já era esperado,
Brotaram assim as flores,
Sucumbiram-se enfim dores
Este foi o resultado.

A história que se finda
Cumpre seu itinerário,
Por meu lado cumpro o meu,
Terço gentil bestiário
Dum reino da liberdade,
Mesmo não sendo verdade
É do meu abecedário.

Pra fechar com um sumário,
Peço ao leitor atenção
No ditado que pensei
Ao começar esta ação,
Refleti em um segundo:
Que razão não faz o mundo,
O mundo que faz razão.

Resumo Autobiográfico:
Osmar S. Machado Júnior


Aos nove anos compus um caderninho de poemas, lembro uns versos:

No telhado do meu quarto
Tem setenta e duas telhas
O telhado do meu quarto
Não me deixa vê estrelas.

Outros surgiram que eu perdi da memória. Na adolescência, fazendo o ensino fundamental fundo, com outros colegas, um jornal estudantil. Viajo à Salvador para cumprir o ensino secundário, aprendo teatro com os professores Raimundão e Fernando Neves. Faço uma viagem pelo sertão brasileiro em 1998. De volta à Eunápolis, que considero minha cidade natal, participo do Grupo de Teatro Municipal, prêmio de melhor ator adulto no Festival de Teatro do Extremo-Sul da Bahia.
Em 2000 entro na Faculdade de Ciências Econômicas da UFBA, não concluindo o curso. Faço diversos recitais em Salvador, incluindo recital de recepção à Aleida Guevara e a visita do Embaixador de Cuba à Bahia. Lanço o primeiro Cordel em 2003, dramatizado pela Cia. de Theatro Charles Baudelaire. Tenho contato com o mestre Antônio Vieira, que em pouco tempo me passa vasto ensinamento de poesia popular. No ano de 2004 escrevo três Cordéis que alcançam o I lugar no Prêmio Nacional de Literatura de Cordel da Fundação Cultural do Estado da Bahia. Em 2006, Menção Honrosa no II Concurso Nacional de Poesia de Colatina. Em 2007 escrevo a peça histórica Visão 64, sucesso de público no interior. Fundo com outros artistas a Associação Cultural Antônio Conselheiro, da qual sou presidente. No momento termino um livro de poemas \'As Estâncias do Verso\' e um livro de poesia infantil.

osmar_cordel@yahoo.com.br

 

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