Poetas Del Mundo Poets of the world
Our Poets & Artists Talented, Credentialed & Creative
Our Readers A wide diverse audience
Help & Support Call us: +56 9 8811 6084
0 0
João do Carmo  Martim

João do Carmo Martim


Nationality: Portugal
Email:

Biography
O que na areia escrevo às conchas confesso

O que na areia escrevo às conchas confesso
trabalho sempre no limiar da efémera palavra
no renovar das páginas que me descobrem
lento deslizar da noite que adormece gritando
Só o mar é o meu editor
mergulho para actualizar a escrita aquática
edito os meus textos ao ritmo gramatical das algas
Das palavras presas nos adjectivos corais
algumas letras emergem para respirarem
para se lembrarem das areias onde nasceram
depois regressam para um poema perdido
nessa insondável acrópole
onde respira também o meu peito insepulto

Um dia baixarei aos oceanos

De onde vem o cheiro seco da consciência a nadar
Desse mar de pedras feito da multiplicidade dos desertos
ou das brechas que abres na perfeição fictícia dos muros

Procuras o silêncio distante a ecoar ressonâncias de quê
Se a música nos intervalos das ondas
sobe iluminada sobre as pedras evitando os cardumes

Continuas a pisar desejos nos degraus do sonho
mesmo sabendo da aproximação da espuma dos dias
da velocidade crepuscular das vagas de solidão

Um dia baixarei aos oceanos
voltarei sobre as ondas cúmplices para te ensinar
o desespero de viver como uma forma de amor

E a memória se dissolve nos limos

No mesmo instante em que
explodíram as nuvens
lançei-me ao mar
deixando o camarote para trás
Como explicar a tempestade desta atracção
às aves e coisas que morrem
às almas aprisionadas em vagas de cimento
ou aos dedos exaustos de tocarem
sempre a mesma música
Fosse do que fosse
passei a integrar a suavidade densa
daquele corpo líquido
numa impossibilidade absoluta de solidão
Como uma dança
os gestos se tornaram transparentes
na íntima fluidez onde
se escreve quando anoitecem as águas
por entre o borbulhar da
permanente curiosidade dos peixes
e a memória se dissolve nos limos
que nada podem queimar

biografia:

Algumas notas biográficas

João do Carmo [de pseudónimo João Martim para a poesia], nasce a 9 de Fevereiro de 1953 em Lisboa, Portugal.
Pintor, poeta e professor de Artes Visuais.
Começa a escrever poesia [1985] em cadernos de pequeno formato que vai coleccionando sem outro intuito.

A partir de 1995 escreve incessantemente, completa e refaz uma série de poemas - Lápis de Vida- noturnos em imperceptíveis tonalidades, escritos entre 1995 e 2001,
e inícia nova série - 2 Prelúdios antes do amanhecer.
A partir de 2001 recomeça a pintar uma série de 18 quadros intitulados Cenários - teatros da forma, inspirados em poemas e textos de prosa poética por si feitos em 2000.
Em 2002 continua a pintar esta série de quadros, que concluirá já em 2003 com vista a uma exposição individual em Abril de 2004. Continua a escrever nova série de poemas - De que plasma agora sou.
POIESIS VII - Colectânea de poesia e prosa poética - Editorial Minerva, Maio 2002.
O ESTADO DO MUNDO - Poema colectivo, edição em livro e CD. Coimbra, Abril 2004.
Participa e colabora em revistas e jornais de literatura e poesia e em sítios na Net nos canais portugueses - O Fulgor da Língua [no âmbito das comemorações de Coimbra capital portuguesa da Cultura]; Círculo de Cultura Portuguesa, Refúgio de poesia, Poesia e Prosa, e nos brasileiros Nave da palavra e Arte da Palavra.
3º Festival - PALAVREIROS - Día Mundial de la Poesía “Por la unión de los pueblos através de la poesía'edición del año 2004 - homenaje: 'Pablo Neruda - 100 años 1904 - 2004.
ELOS DA POESIA - Colectânea de 300 páginas de 12 autores contemporâneos portugueses,edição simultânea em Paris e Lisboa, Novembro de 2004.
Colabora com ilustrações e edita poesia nos cadernos da colecção VIOLA DELTA do grande poeta e amigo Fernando Grade.
VIOLA DELTA XXXVII - Poemas sobre a Terra natal e outros.
VIOLA DELTA XXXVIII – Poemas sobreViagens e outros.
VIOLA DELTA XXXVIX - Poemas sobre o Cão
VIOLA DELTA XL - Poemas sobre a à gua e outros textos.
VIOLA DELTA XLI - Poemas sobre Bocage e outros textos.
Edições Mic. Coordenação Fernando Grade, 2004-2005
ELOS DA POESIA - Colectânea de 300 páginas de 20 autores contemporâneos portugueses, edição simultânea em Paris e Lisboa, 2004.
DE QUE PLASMA AGORA SOU - Poesia, a editar em 2006.

No record found.
No record found.
No record found.
Comments