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Rosa  Ramos Regis da Silva

Rosa Ramos Regis da Silva


Nationality: Brasil
Email:

Biography
CORDÉIS para 'O T R O V A D O R E S C O'

CORDÉIS ENVIADOS A ADEMAR MACEDO
[Poeata integrante da ACADEMIA DE TROVAS NORTERIOGRANDENSE - ATRN]

A UM PEDIDO DE AMIGO

A um pedido de amigo
Não se pode dizer não.
E, assim, de coração,
Com emoção eu te digo:
- Não sei mesmo se consigo
Porém vou tentar fazer
O que me pedes. Vou ver
Se minha cuca ainda bola,
Se sai algo da cachola
Para, a ti, satisfazer.

Falei com 'Tico' e com 'Téco',
Pedi para se unirem.
Disse: - Meninos, se virem!
Senão eu vou ter um treco
E dou-lhes um peteleco!
Rebusquem esse coco louco,
E tragam à tona um pouco
De idéias engajadas
Que formem frases rimadas,
Pois já estou ficando rouco.

Os dois não contaram estórias!
Começaram a rebuscar.
E correndo sem parar,
Reviraram-me as memórias
Que, assim, sem escapatórias,
Começam, então, a fluir,
Fazendo, pois, ressurgir
Alguns pontos esquecidos
Que haviam sido banidos.
Porém, não sem reagir.

E Téco disse p'ra Tico:
- Vam'embora, camarada!
- Vam'emfrentar a parada!
- Ou então, um siricutico
Nossa dona tem. E fico
Pensando na confusão
Que isso vai dar. Então
Os dois partiram p'ra luta.
E foi tremenda a labuta!
Saíram da inanição.

Dessa forma, a cuca minha
A funcionar, voltou.
E agora, tentar, eu vou
Engendrar uma riminha
Buscando, lá... na terrinha,
As lembranças que enobrecem
O meu ser e que aquecem
O meu pobre coração
Choramingão e babão.
Meus compatrícios merecem.

Adentro à Terra querida:
Jerimum, que me gerou,
Com filha de adotou
E fez-me enriquecida
Com a experiência tida
Em uma infância feliz
Que não careceu verniz
Pois era cheia d'um amor
Puro, onde até a dor
Detinha outro matiz.

E aí vejo Natal,
Que foi quem me acolheu,
Com amor me recebeu
De forma bem natural.
E foi onde um cara legal,
Como tu, eu encontrei
E amizade travei
Através da Internet.
E, agora, a mim compete
Mostrar o pouco que sei.

...
É. No Jerimum eu nasci.
No Estado da Paraíba.
Vai abaixo e vai arriba,
Logo de lá eu parti.
E em Natal eu me vi,
Depois de idas e vindas,
Cidade de praias lindas
Por quem me apaixonei
E com a qual me casei
E vivi cenas infindas.

...
Como complemento, mando,
Nesta minha enrolação,
A ti, Ademar, então,
Algo que estava bolando,
E, no Orkut, postando.
O que faço dia a dia.
Pois rimar traz-me alegria
E, mesmo sem saber, tento.
ISSO É SÓ UM COMPLEMENTO
DA MINHA BIOGRAFIA

...

ISSO É SÓ UM COMPLEMENTO
DA MINHA BIOGRAFIA


Já trabalhei de coveiro
Já vendi cachaça mole
A mim não há quem enrole
Não me meto em atoleiro
De fazenda, fui vaqueiro
E trabalhei em estrebaria
Num tal lugar Travessia,
Fui embalador de vento.
Isso é só um complemento
Da minha biografia!

Na vida eu já fiz de tudo!
Já trabalhei em bordel
Já vendi sarapatel,
Pastel, coxinha, canudo
Fui 'cão' em noite de entrudo
Vendi cururu por gia
Jerimum, por melancia
E, por burro mulo, jumento.
Isso é só um complemento
Da minha biografia!

Ainda mais: sou Bacharel,
Formada em Economia
E também em Filosofia.
E tenho mais um anel:
De licenciada em cordel
Que ganhei por primazia
Dos versinhos que fazia.
É assim que à vida enfrento.
Isso é só um complemento
Da minha biografia!

Natal/RN - 03 de fevereiro de 2007

A VINGANÇA DE NESSO
[Mitologia Grega em cordel]
Por: Rosa Regis

NESSO e o falso filtro do amor

O rio Eveno está sujo:
Em si boiam animais
Afogados, plantas mortas,
Representando sinais
De que ele será palco
De tragédias colossais.

Pois Nesso, o centauro feio
Que em suas margens mora,
Meio homem e meio cavalo,
De alma humana, que deflora
Com violência as mulheres,
Apaixona-se agora.

Transportando os viajantes
De uma margem a outra do rio
Sem que ninguém lhe agradeça
Devido ao seu ar sombrio,
Nesse dia, Dejanira
Provocou-lhe um desvario.

E com o amor furioso
Que lhe é peculiar,
Violentamente ele tenta
Com Dejanira transar.
Esta grita. E surge Hércules
Que a ouve. E a vem salvar.

E pegando, rapidamente,
Seu arco e firmando a seta,
Com um disparo certeiro,
No peito de Nesso acerta.
Porém este, antes do fim,
O seu veneno ainda injeta.

Moribundo, a amada pede,
Com o seu ar fingidor,
Para recolher seu sangue
Que diz: é o filtro do amor,
Um ungüento que traz de volta
O marido traidor.

Basta que quem o possua
Use-o da forma a seguir:
Unte o corpo do marido
Quando este, um dia, trair.
E Dejanira acredita.
Mas ele está a mentir.

E, embebido num retalho,
Dejanira traz consigo
O sangue do moribundo
Que imagina, agora, amigo.
Sem saber que está retendo
A vingança do inimigo.

Hércules, escravizado à bela Ônfale

O rei de Ecália, seu mestre
Que o ensinou a usar,
Na infância, o arco, agora
O está a acusar
De ladrão de gado. E Hércules
Foge para o não matar.

Contudo, Ífito, o filho
Do Soberano, irá
Em busca do herói. E este,
Dele, não se livrará.
Na luta, o enfrenta e o mata.
E o seu crime expiará.

Para a Corte de Ceíce,
Na Traquine, levará
Sua amada Dejanira.
E, aí, chegando lá,
Pede ajuda a Ptanisa
Mas ela lhe negará.

Pois ele sabe, em verdade,
O que o deus tem em mente,
E poderá alcançar
O seu perdão. Ele o sente.
Entretanto, a Ptonisa
Nega veementemente.

Deverá o herói, assim,
Com sua culpa ficar.
E pelo resto da vida,
Como uma carga, carregar
O pesado fardo que Juno
Lhe deu, para o seu azar.

Irritado, e possuído
Pela loucura que lhe envia
Juno, a esposa de Zeus,
Que o atormenta dia a dia,
Hércules quebra o santuário
E a Ptonisa surrupia.

E aí, Apolo, zeloso
Com sua Sacerdotisa,
Fica raivoso, assistindo
A tudo, à Terra desliza,
Atracando-se com o mortal
E dando-lhe terrível pisa.

Porém, do alto do Olimpo
O grande Júpiter, também,
Vê o combate, e se lança
Da sua morada, e vem
Para o meio dos mortais,
Diante de Si, ninguém.

E, com sua autoridade,
Ordena a separação:
Fazendo-os desculparem-se
E apertarem-se as mãos.
E faz que Apolo mostre a
Via da purificação.

Ser vendido como escravo!
A sentença que caberá
A Hércules que, por três anos,
Como escravo ficará
E o dinheiro da venda
Para o rei da Ecália irá.

E o filho de Júpiter, agora,
Propriedade vai ser
Da rainha Ônfale, que o leva
Consigo, e que irá fazer
Da sua vida um inferno
Que só vendo para crer.

Ela o humilha de forma
Que o faz sentir-se um nada,
Com a escravidão penetrando
Na sua alma humilhada
Como se fora um mal
Ao qual fora condenada.

Leva-o a trabalhar a terra
E aos rebanhos pastorear.
Aos inimigos de Ônfale,
Como seus, combaterá.
E, vestido, de mulher,
A roca irá manejar.

E ainda, o que é pior,
O deus ainda fará
Que ele ame a sua dona
Numa paixão que será
Feita de ânsia e fraqueza.
O que mais o humilhará.

Mas os três anos se vão.
E a cativez é finada.
No entanto, a liberdade
Com tanta ânsia esperada,
Dói, quando ele se despede
De Ônfale, sua dona/amada.

Com a vingança em mente,
Em seguida partirá.
E numa guerra sangrenta
A Eucália sitiará,
E invade o palácio do rei
Êurito, ao qual matará.

E não só o rei ele mata,
Mas todos seus descendentes.
E apossa-se da viúva
Do inimigo. E, assim, sente
Que, enfim, está vingado.
E isto o deixa contente.

Hércules morre. Juno perdoa.

Entre prantos e lamentos
Na corte de Ceíce, agora,
Dejanira aguarda Hércules
Lamentando-lhe a demora.
E se perguntando o porquê
Disso, outra vez ela chora.

-Se o seu tempo de cativo
Sob Ônfale já passou,
E a vingança contra Êurito
Também já se consumou!
-Porque Hércules não regressa?
-Talvez tenha um novo amor!

Dejanira sobressalta-se
Com o coração apertado
Pela dúvida que cresce
De que Hércules, seu amado,
Tenha novo amor e, por isso,
Ainda não tenha voltado.

E, possuída de medo
De perdê-lo, vai procurar
Licas, que o acompanhava
Em todo e qualquer lugar,
E, interrogando-o, obriga-o
A verdade revelar.

E, obrigado, ele diz
Tudo que ela perguntou:
-Hércules uniu-se à Íole,
Agora, o seu novo amor.
Vivendo feliz com ela.
E por isso é que não voltou.

De início, Dejanira
Ao seu sofrer se entregou.
Depois, lembra que o Centauro,
Nesso, ao morrer lhe deixou
Seu sangue em um pano, e disse
Ser um filtro do amor.

E chega a oportunidade
Que ela tanto esperou
Com uma mensagem que Hércules,
Por alguém, lhe enviou:
Queria que lhe mandasse
Uma veste nova. A mandou.

A veste que Hércules pedia
Era para ele usar
Na consagração a Júpiter
De um grande e belo altar.
E nela Dejanira iria
O filtro do amor usar.

Na túnica nova, a esposa
De Hércules, pois, esfregou
A mágica porção que Nesso,
Ao morrer, lhe ofertou.
E ao marido distante,
O traje ela mandou.

E agora o que lhe resta
É tão somente esperar
Que ele retorne correndo,
Vibrando de amor pra dar.
E ela tem toda a certeza,
Isso não vai demorar.

Enquanto isso, o marido,
Que de nada desconfia,
Recebe a túnica, vestindo-a,
Pois logo iniciaria
A cerimônia do altar
Que a Júpiter se oferecia.

É o começo do fim.
Pois o pano umedecido
Com o veneno de Nesso,
Ao corpo fica aderido,
Penetrando-lhe à pele
E deixando-o enlouquecido.

Não era o filtro do amor
Que o centauro vingativo
Entregara a Dejanira,
Era o seu ódio ativo.
A morte que Nesso, morto,
Presenteia a Hércules, vivo.

E Hércules, enlouquecido
De dor, tenta arrancar
De si a roupa maldita,
No entanto, ao rasgar
O tecido em si aderido,
Sua pele rasgará.

E a carne despedaça-se
Com a roupa envenenada.
Suas entranhas, em fogo,
Estão sendo devoradas.
Não existe salvação.
Sua vida está acabada.

À presença de Dejanira,
Aos gritos, é o herói levado.
Mas não era assim que sonhara
Receber o esposo amado
Que, ardendo, se lhe apresenta
Totalmente transtornado.

E o sofrimento de Hércules
Tão fortemente feriu
Dejanira que, não podendo
Ver o seu sofrer, decidiu
Suicidar-se. E, ali mesmo
Aos seus pés ela caiu.

E no fogo, lentamente,
Hércules agoniza, na dor.
Mas, usando a lucidez
Que num momento aflorou
À sua mente, ele, ao filho
Hilo, pede um último favor.

Suplica que este espose
Íole, deixando-a amparada
Pelo resto de sua vida.
Protegendo, pois, a amada,
Já que ele não poderá,
Por ela, fazer mais nada.

Depois pede que alguém
Lhe acenda uma fogueira
Para que possa expressar
Sua hora derradeira,
Acabando o fogo invisível.
A horrível queimadeira.

Mas ninguém quer atender
Seu pedido, quase prece,
Porém, enfim, seu amigo
Filocfetes, compadece[-se]:
Acende a pira, onde Hércules
Se joga e, assim, fenece.

Ante os olhos perplexos
Da multidão assustada,
Hércules joga-se nas chamas.
E aí, uma trovoada
Enche o espaço. E o herói
Morre sem falar mais nada.

Do fogo, ele sobe ao Céu

Fim

CASA DE TAIPA

Por Rosa R. Regis
Natal/RN - Brasil, Julho de 2006
[Corrigida em 18/04/2007]


Num 'retorno' à minha infância,
Lembro o quanto fui feliz
Naquela casa de taipa
Meu coração é quem diz.
E com o peito em festa,
Esta homenagem lhe fiz.

Na chegada um cajueiro
Curvo, cobrindo a estrada;
Uma palmeira frondosa
E uma açucena espalhada
Cheia de flores que deixam
A estrada perfumada.

Na entrada um terreiro limpo
E enfeitado de flores
Em toda a sua extensão:
Flores de todas as cores!
E plantas medicinais
Para dores... suadores...

Dos lados, e lá atrás,
Há uma variação
De árvores frutíferas que
Vai da jaca ao mamão,
Onde os cajus e as mangas
Viram lama pelo chão.

Laranja-lima; da-terra;
Da-baía; araçá;
Goiaba; cana-caiana;
Sapoti; maracujá:
Algumas das várias frutas
Que lembro que havia lá.

Mas falo da casa em si!
De como era construída;
O material usado;
Como era dividida.
Dos móveis utilizados.
Da dormida e da comida.

A casa tem duas águas
Como todas as demais
O tipo 'casa comum',
Que, ali, são todas iguais.
No pequeno Jerimum,
Lugar dos meus ancestrais.

Na entrada, o 'anti-cristo'!
Como minha mãe chamava.
Preto, comprido, com quatro
Pernas, que o descanso dava
Ao viajante cansado
Que na estrada passava.

Sendo protegido por
Uma pequena latada
Feita de palhas de coco,
Do próprio sítio tirada,
Formando um alpendre simples
Naquela simples morada.

Uma porta e uma janela,
Que de tábua de caixão
De sabão são engendradas,
Completam a feia visão
Frontal do pobre casebre
Que o lembrar traz emoção.

Outra janela na sala,
Do lado do sol nascente,
Deixando a sala arejada
Mesmo em dia de sol quente,
E um mínimo de conforto
Dando àquele pobre gente.

Porta dividida ao meio,
Trancada com taramela,
Dá entrada à sala onde
Ainda um coto de vela
Vê-se no fundo da xícara.
Do lado, uma rosa amarela.

Várias estampas de santos:
O Coração de Maria;
O Coração de Jesus;
São Bento, Santa Luzia;
A Santa Rosa de Lima;
Nossa Senhora da Guia.

São João Batista-menino
Com um carneirinho do lado,
Nossa Senhora das Dores,
São José com seu cajado
E o Menino Jesus
No seu braço bem sentado.

Todos em quadros suspensos
Na parede, e enfeitados
Com laços de várias cores,
Que lhes foram ofertados
Em pagamento às promessas
Feitas, com fins alcançados.

Uma banca de três pernas,
Sempre de crochê forrada,
Tendo sobre si um frasco
Com uma flor que foi tirada
Ali mesmo no quintal
Onde foi mui bem cuidada.

Num canto uma velha mesa
Nua, já enegrecida
Pela idade, e três bancos
Que, na hora de servida
A refeição, não comportam
Todos da forma devida.

E alguns sentam no chão:
Com certeza, a criançada!
Já que aos mais velhos sempre
A preferência é dada.
Mas a turma não reclama.
Já está acostumada.

Um joelho de madeira
Sai da parede, formando
Um armador de primeira!
Com outro se defrontando,
Onde há sempre uma rede
Com alguém se balançando.

Da sala para a cozinha
Há um corredor escuro
Que passa na camarinha,
Ou quanto, onde, eu juro!
Sem um candeeiro aceso,
Não se vê nada. No duro!

Na camarinha, uma cama
De talisca com colchão
Duro, de junco, comprado
Ali perto, no Grotão.
E do lado da cama: um cepo,
Bacia d'água e sabão.

Tem ainda um candeeiro
A querosene, luzindo.
Fumo de rolo, tabaco,
E um penico, tinindo
De limpo, para o xixi
De quem ali tá dormindo.

Um velho baú num canto,
Com roupas especiais:
O vestido novo da moça
Da casa e, dos demais,
Uma roupa de sair
Pois não podem comprar mais.

Uma corda na parede,
Que é mesmo um aparato,
Onde penduram-se as roupas
Servidas, meias, sapato,
Redes, lençóis e, por vezes,
Até os panos-de-prato.

Um caritó, no cantinho
Da parede, pra botar,
De dia, o candeeiro
Que não vai se precisar
Durante o dia, e o fumo
Que ainda está por cortar.

No final do corredor
A dispensa e a cozinha.
Na dispensa, uma saca
Quase cheia de farinha
E uma lata de feijão
P'ro plantio que se avizinha.

Na parede da dispensa
Há mais um outro joelho
De madeira, pra botar
Cordas, cangalha, aparelho
De barbear, um pincel
Para a espuma e um espelho.

A cozinha é dividida
Em duas partes, que são:
Uma pequena saleta
Com janela para o oitão,
Um pote a um canto com água
Pra tomar, e um lava-mão.

Uma mesa ladeada,
No comprimento, por bancos
De madeira bem compridos
Que parece serem mancos
Por causa do piso bruto
Feito aos trancos e barrancos.

Na cabeceira, um banquinho,
De tamborete chamado.
E quando junta mais gente
Fazem acento improvisado:
Tronco de coqueiro e,
Também, um pilão deitado.

Pois é costume no sítio
O povo se reunir,
Vez por outra, em uma casa
Para conversar e rir:
Botando a fofoca em dia
Para, assim, laços unir.

Mas, cheguemos à cozinha,
Na Segunda parte, então,
Onde se vê, lá no canto,
Uma espécie de fogão
Que é uma mesa de barro
Com pés fincados no chão.

Para explicar o feitio
Dos fogões, vamos dizer
Do que é qu'eles são feitos
E a forma de os fazer.
E assim sendo, lá vai!
Eu os tentarei descrever.

No fabrico do fogões
O que se utilizava
Era quatro ou seis forquilhas
Que do mato se tirava,
Lá na 'Mata do Chocalho'!
Pertinho d'onde eu morava.

Faziam-se umas grades
De varetas amarradas
Com cipós, de forma que
Ficassem bem apertadas,
Retangular - oito pernas;
De quatro pernas - quadradas.

E, com barro, se fazia
Uma massa escaldada
Que era aplicada à grade
Já, de antemão, fixada
À forquilha que, também,
No chão já estava fincada.

O acabamento rústico,
Apenas feito à mão,
Deixava à vista desenhos
Naquele rústico fogão
Que fora feito sem técnica
Mas com carinho e emoção.

E depois do barro seco
Punha-se, pois, na tal mesa
De barro, três pedras grandes,
Entre as quais, a lenha, acesa,
Cozinharia a comida
Para todos, com certeza.

Com o tempo, o fogão a lenha
Aqui descrito, mudou:
As trempes perderam a vez;
A pedra em barro virou;
Criou-se como se um forno
E ao jirau se anexou.

Uma espécie de casinha
De barro, com abertura
Redonda e, para cima
Jogando toda a quentura
Das chamas sob a panela
Que, em cima, abre a fervura.

Panelas, que também são
Feitas de barro. E o sabor
Da comida ali contida,
Eu lhes digo, sim senhor:
Tinha um sabor diferente!
Era feita com amor.

Nem pode-se comparar
Com a de hoje, meu irmão!
Feitas no fogão a gás
E à força de pressão
Que, às vezes, para comer,
Deixa-me, pois, sem tesão.

Por mais tempero que bote
O sabor é diferente
Do daquele tempo em que
Era acrescido, somente,
Ao feijão, umas folhinhas
De coentro e a semente.

Pois a semente do coentro,
Verdinha, e bem amassada,
Dá ao feijão um sabor
Que... Oh meu!... Pela madrugada!
A gente come purinho!
Sem precisar de mais nada.

Mas, saiamos do fogão
Que está me dando fome!
Vamos para o outro canto
Mostrar... Como é mesmo o nome?
Um 'caritó' - um cantinho
Onde a aranha u'a mosca come.

É o 'caritó' que é feito
Com pauzinhos enfiados
No cantinho da parede
Onde se vê, pendurados,
Um candeeiro, um quengo,
E uns algodões trançados.

Candeeiro - é a lamparina
A querosene, usada
No lugar onde a energia
Elétrica não fez chegada,
E que ilumina a raspagem
De mandioca à madrugada.

Quengo - é a concha, seu moço!
Feita do casco do coco
D'uma banda - uma quenga,
Onde um pau, raspado, um toco,
Atravessa, e faz um cabo.
A herança do caboco.

Trança de algodão: pavio
Que serve para sugar
O querosene de dentro
Do candeeiro - ao passar
Pelo bico - sendo aceso
Para a casa iluminar.

Veja-se o que, na cozinha,
Temos ainda a mostrar:
O jirau de lavar louças
E pô-las para secar.
Em cima: cuias com água
Pra lavar e enxaguar.

No canto, perto da porta,
Um pote numa forquilha
Que é p'ra água de gasto.
E mais um'outra vasilha:
Uma cuia [de cabaço],
Com água fria. É maravilha!

Saindo para o quintal,
Ou 'terreiro da cozinha',
Vê-se um balcão de coentro,
Um viveiro de galinha
E um cortiço de abelhas
Numa mangueira vizinha.

Há ainda uma quantidade
De fruteiras, variada,
Das quais falei no início.
E ainda uma latada
De maracujá-mochila,
Que tem a pele engelhada.

E, diante das nossas vistas,
Um terreiro 'caprichado'!
Sempre nivelado e limpo,
Melhor que o encomendado!
Como se fora uma moça
Esperando o namorado.

...
É assim que, na lembrança,
Guardo, carinhosamente,
A casinha onde vivi
Com os meus, bem consciente
Que minha mais verde infância
Deu total significância
À vivência do presente.
-

Rezei aqui o meu lar
Ou a casa onde nasci,
Sei que não posso agradar
A todos com o que escrevi!
Requeiro ao caro leitor
Entretanto, por favor,
Gostando, passe à frente!
Isto fará minha mente
Servir, sempre, com amor.

biografia:

ROSA RAMOS REGIS DA SILVA
- Paraibana, do Sítio Jerimum - Município de Jacaraú-PB, residente em Natal - Capital do Rio Grande do Norte, desde 1966, considerando-se, pois, cidadã norteriograndense. Formada em Economia [Bacharelado] e Filosofia [Licenciatura e Bacharelado], pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN. Amante da Poesia de um modo geral, especialmente em Cordel que começou ao iniciar o seu Curso de Filosofia-Licenciatura, no qual, mais de oitenta por cento dos seus trabalhos foram feitos em cordel, inclusive parte do seu trabalho monográfico de final de curso e os dois Discursos de Formatura. Participou: da ANTOLOGIA LITERÁRIA - volume 3 e 4- SPVA/RN, na primeira [de nº3], com o poema A DOR DA IMPOTÊNCIA DE NÃO SER, na 2ª [de nº 4], DE NÁUFRAGO A ESPECTADOR e INFERNO NO 'SERROTÃO'; da X e XI FESERP - Festival Sertanejo de Poesia, oferecido pela APC - ACAUÃ [Produções Culturais], Aparecida-PB - Prêmio Augusto dos Anjos, no X, com o poema UM DEUS NASCIDO DA DOR, sendo classificada em oitavo lugar [com Certificado], o XI, com o poema: O INFERNO NO 'SERROTÃO' ou FUGA ABORTADA; do XIII e XIV Festival de Poesia, Crônica e Conto de Imperatriz, realização: IMPERATRIZ - FCI, Imperatriz-AM; este último com os poemas: MAR, NAVEGAÇÃO, NAUFRÁGIO E ESPECTADOR; RECONSTRUINDO O PENSAR; CERTEZA DO BEM; AMOR INFINITO e VISÕES DA REALIDADE [com Certificado do XIII, até agora]; do I, II e III CONCURSOS DE POESIAS LUÍS CARLOS GUIMARÃES, oferecidos pela Fundação José Augusto - Natal/RN, em 2001, 2002 E 2003 respectivamente, com 10 trabalhos em cada um, tendo sido homenageada no primeiro; no CONCURSO LITERÁRIO OTHONIEL MENEZES [poesia], ano 2003, produzido pela Fundação Cultural Capitania das Artes - Natal/RN, com um pretenso livro: ESCAPANDO ÀS REGRAS. Está inscrita para a próxima Antologia da SPVA/RN, com o poema EM TRANSE.
Tem trabalhos editados: no Recanto das Letras, no Poesia Pura e no Orkut.

rosaregis3erres@yahoo.com.br
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