Fernando Manuel
Pereira
SONHO LÚCIDO . brandas asas por entre árvores voando veias de sal nesta madrugada tardia esperança desgarrada ocioso dia . agrilhoados ao destino em linha como pássaros em vedação à beira do cais pátria dos deserdados amores desvendados mistérios . arco-íris luz fóssil que se retorce na terra pesada de calor e silêncio sonho lúcido neste limite das palavras para dizer que te amo. . CAMINHOS DO VENTO . casas empilhadas entre o rio e a serra, amontoado de pedras e telhas, ventres de segredos fugidos do fundo da memória em sina de sinais, volteios de vespa, leve sentimento de vertigem, bojo do tempo, zoada a soar como coro em praça vazia, distante, em busca de presas. . Última luz da tarde percorrendo seus mil esconderijos, ruas velhas, itinerários seguidos pelas aves, caminhos invisíveis do vento, astrais, modelando as ondas com habilidosos toques, criador de arte abandonada, cidade de pássaros presos no visco, uniforme mundo de areias e rezas. . nesta indiferença, vaporosa, fitando-a com olhos vazios, distantes, o mendigo de bordal descosido, vindo de mil outros sítios, diferentes, violados refúgios de estrelas do mar, anémonas violáceas, parcos heróis, entende seu rumo de jangada, abandonada, guiada por destino de faróis. . IMAGENS, REFLEXOS . libertinos segredos de amor violentos confessados doirada pele animada pelo sol doçura de voz manto de mel encantos e dissabores amores nos teus olhos fascinantes macios . boca volúvel mundo àparte inquieta mareante apátrida graciosidade indolente emoções rio cujas ondas mutáveis imagens se intrometem como espelhos nos sussuros da cidade.
biografia:
Fernando Manuel Pereira, 61 anos de idade, natural de Setúbal, Portugal. Pintor, desenhador, jornalista, escriba, autodidacta... Combatente pela paz no Mundo, defensor de causas socias, contra as injustiças de qualquer espécie.
f.m-p@hotmail.com
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