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Jurema Chaves
Nacionalidad:
Brasil
E-mail:
juremach@terra.com.br
Biografia

Jurema Chaves

Natural de Encantado RS. Filiação Manoel P. Chaves e Virginia dos Santos Chaves. Dois filhos Rosangela e Rogério. Poetisa, escritora, declamadora, radialista, ativista cultural, membro de comissões avaliadoras de festivais. Coordenadora da cultura sul-rio-grandense da Secretaria Municipal de Cultura de São Leopoldo / RS, de fev. 2005 a abr. 2006.


MEU FILHO

                                      - In memoriam, 06/08/10

 

Porque te foste assim, meu filho amado

Fugindo de nós sem nem adeus

Como um menino travesso inconseqüente

Que foge de casa simplesmente

Pra soltar pandorgas, pra um jogo de bola

Sem avisar ninguém!

 

Porque não me avisaste da partida

Porque tão de repente sem porquês?

Deixaste minha alma tão vazia

E um soluço nos recantos do teu quarto!

Teu violão te esperando emudecido

E um coração de mãe todo partido

Sem entender o porquê da tua  ida.

 

Meu menino lindo eras tão teimoso...

Um jeito dengoso de me conquistar.

Te  foste  carregando os meus pedaços

Ficaram tão vazios os meus abraços

E um colo sem filho pra ninar!

 

Será que escutas quando eu te chamo

Quando choro dizendo que te amo

Incondicionalmente, em qualquer lugar!

Numa nuvem branca te vi indo embora

O que faremos sem você agora

Sem o teu jeito moleque de cantar!

 

Teu jeito durão era um disfarce

Escondendo um imenso coração

Fortaleza frágil onde a doçura

Ecoava ondas de ternura

Onde o amigo era mais que irmão!

 

Teu violão vai ficar guardado

Numa nota entristecida que ficou

Quem sabe uma noite de invernia

O violão choramingue a melodia

Devolvendo-nos assim a alegria

Na cantiga que gostavas de cantar

Do Rolando Boldrin ao do Raul Seixas

Ouvir-te-ei consolando as queixas

De um coração de mãe a soluçar!

E tua alma linda vai cantar comigo

Vai nos dar abrigo, pra nos consolar

 

Não devias ter fugido meu filhote

Às vezes penso que foi só um trote

Brincadeira de moleque nada mais

Que estarás de volta a qualquer momento,

Que só ias aproveitar o vento

Pra soltar pandorgas ver os passarinhos

E ficar sozinho, meditando ao léu

E ficaste meio distraído,

Quando um anjo de olhar azulecido

Pensou que estavas perdido

Tomou-te a mão, e te levou pro céu!

 

                   *

 

DOCE MAGIA

 

Que magia é essa que teu beijo exala
Que feitiço existe nesse sorrir
Que doce ternura o meu sonho embala
Anjo meu não deixe tanto amor partir

Se a razão insiste que eu vá embora
O coração soluça, quer ficar aqui
E viver o sonho que na alma aflora
Na sublimidade que sinto por ti

Quero ver ainda teu olhar-poeta
E sentir o gosto dessa boca tua
Venha consolar minha alma inquieta
Que te espera ardente sob a luz da lua

A saudade dói, prolongando os dias
Na presente ausência onde busco abrigo
Na quietude mansa, em noites vazias
Te procuro a esmo, quero estar contigo

Viver os meus sonhos, minha fantasia 

 

 

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