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Jade Medeiros Silva
Nacionalidad:
Brasil
E-mail:
jaademedeiros@hotmail.com
Biografia

Jade Medeiros Silva

 

Meio mãe

Pobre garota, deitada nessa cama, brincando com o azar, sem nada na cabeça, nada do estômago, nada na vida. Só uma peça velha de um carro que nem funciona mais. Minha vontade é de abrir a porta dos fundos e pedir que ela entre pela cozinha, e preparar um chá quente pra ela, dar uma toalha limpa e um colo escaldante.

Talvez seja disso que ela precise. Alguém que consiga se preocupar genuinamente sem destroçá-la no processo. Pobre garota, tão pequena, tão cheia, tão imunda, quanta imperfeição em tão pouco espaço. Ouvi dizer uma vez que ela só precisava de um banho demorado e um travesseiro morno no fim da noite, mas eu desconfio muito que não seja só isso. Mais que uma barra de chocolate e uma mão misericordiosa, ela precisa de uma alma nova.

Mas onde é que se vende alma? Onde é que se doa? Não sei! Nunca soube! Nem ela sabia, continuava ali comendo sobras deitada no chão frio, pedindo ajuda a quem passasse, por isso sempre tive um respeito honesto por ela, meio que um carinho materno. Eu até tentei explicar pra ela : quando a gente oferece sangue pra vida, ela sempre aceita, sem hesitar, o fluxo hemorrágico é continuo minha querida, a ferida que jorra não sara nunca.

 

 Jade Medeiros

 

Marcha á ré

 

            Eu bem que tentei ter um jeito despojado e um riso meio calmo e torto de quem não dá a mínima. Eu tentei mesmo, mas acho que ainda tenho um pé nos quinze, ou a perna inteira. Penso com a cabeça de quem acabou de completar quinze anos e planeja uma linda e rosa festa de aniversário em meio a balões e danças festivas  porem com humor podre e a insensatez de não saber a qual mundo pertence ainda.

Tenho um tanto da cabeça e do humor, do mau humor assim sendo, e as vezes até funciona, mas na maioria das vezes não. E eu sei bem quando não funciona porque a vida pisa no freio e faz biquinho me restando apenas dar marcha á ré. E acho que é daí que vêm essa impressão que o mundo anda pra trás às vezes. Mas é só a gente mesmo, evitando que a vida faça cena, faça birra, porque ela sabe nos envergonhar como ninguém. Pelo jeito é assim que a gente cresce porque os pés nos quinze não funcionam pra sempre, a perna inteira neles então, nem se fala.

Jade Medeiros.

Barra de cereal

 Todo mundo nessa mania constante de optar por ser uma barra de cereal. E eu aqui querendo enlouquecer, querendo dizer pro garçom – muito obrigada, mas eu não preciso do seu refrigerante com gelo.

 Eu ainda quero mais, sempre quis. Sempre rejeitei essa melodia irônica que o mundo insiste em assoviar nos nossos ouvidos em noites quentes. Meio termo nunca me bastou, nada que fosse morno e equilibrado. Pra que esse movimento mecanizado e frequentemente manipulado por mentes perfeccionistas? Se no final eu quero mesmo é que o trem saia dos trilhos e acabe me levando pro lado não neutro da vida.

Deixe-me queimar entre meio minhas expectativas ou congele comigo na minha vaidade maiúscula e pretensiosa, mas tenha sabor, tenha calor, medo e pavor e sim! Por favor, deixe arder em minha garganta seus vícios. Se afogue nos meus. E só assim, pra mim, o mundo segue seu ritmo desconecto e impreciso.

 É bem simples, a regra é clara, só não seja uma ferida fechada porque a vida gosta de sangue. Porque quando não houver mais fluxo hemorrágico, teus sinais vitais e mortais, terão se perdido.

Jade Medeiros.

 

 

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