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Jos Luiz Dias Campos Junior
Nacionalidad:
Brasil
E-mail:
Biografia

José Luiz Dias Campos Junior

BIBLIOGRAFIA,

=> Escritor, Membro da Associação Internacional de Escritores e Acadêmicos; Membro Correspondente da Academia Cachoeirense de Letras; advogado (PUC/SP, 1992); Especialista em Direito Penal (ESMP/SP); Professor de Direito Penal e Processo Penal (UNIP, fev. 2000 a jul. 2007).

=> Vencedor (Medalha de Ouro) – Primeiro Concurso Literário “Oliveira Caruso”, 2011, Categoria “Poesias”, com Nunca desânimo...

=> Vencedor - Concurso Mundial de Cuento y Poesía Pacifista, 2010, modalidade Conto em Português, com Nunca desânimo...

=> 3º colocado no II Prêmio Araucária de Literatura, 2010, de Campos do Jordão, com o conto A derrama.

=> Romance publicado:

As Vidas do Chanceler de Ferro. Lisboa: Chiado Editora, 2009.

=> Textos literários publicados:

Neste átimo... (microconto publicado na Revista Varal do Brasil (www.varaldobrasil.com), n.12, nov/11, p.34).

Como a ferrugem e a traça (Crônica selecionada no I Prêmio Escriba de Crônicas de 2011).

Um só caminho (Soneto - Livro Diário do Escritor 2010, Litteris, 2009).

Valeu a pena, (In, ENTRELINHAS – Antologia de contos e microcontos, Andross, 2008).

Caso Diniz, um protesto (Soneto - Revista da APMP, n. 18, mai. 1998).

O cortejo (Conto - Notícias Forenses, n. 161, nov. 1997).

=> Autor e co-autor de livros e textos jurídicos.

 

 

NUNCA DESÂNIMO...

 

- Estamos aqui reunidos para tratar de um assunto de extrema importância e máxima urgência! Um verdadeiro escolho aos nossos legítimos interesses. – Havia apenas mais três integrantes nessa reunião. Por isso, a altiloquência da mediadora era um tanto desnecessária.

            - Eu detesto quando ela começa com essa “ladainha ufanista”. – Comentava Marte com o parceiro da direita e a baixa voz.

            - Ora, ora... Desde o último embate entre vocês, lá em Tróia, que você detesta tudo o que diga respeito a Minerva. – Respondia Ares, o seu equipotente grego, no mesmo tom e com picardia, relembrando ao deus da guerra sangrenta a derrota dos seus protegidos, face à epopeica vitória dos exércitos resguardados pela deusa da guerra justa.

            - Quietos! A hora é de somarmos forças e não de nos dividirmos. – Cariocecus, o deus lusitano da guerra, interveio e pôs fim à quase celeuma. Minerva continuou:

            - A humanidade cada vez mais se une em torno do pacifismo... E isso tem que ser revertido. Onde, o nosso proveito? Onde, o nosso prazer? – E a camarilha concordava em uníssono.

             - É notório que os movimentos a favor da paz estão se organizando dia a dia e por toda a Terra. E, o que é pior, ampliam os seus tentáculos por meio das mais variadas formas, indo de discursos empolgantes, passando pelas passeatas e chegando à solta de balões brancos. – Prosseguia Minerva, em seu introito.

- Ora, não sei por que tanto alarido – desdenhava a divindade lusitânica. Quero recordá-la de que nunca abandonamos os nossos postos. Aliás, lembra de Heráclito? Pois não foi você, Ares, que bem soube deturpar a Luta dos Contrários, levando os contemporâneos do filósofo e os que se lhes seguiram a justificarem a guerra, pois dela resultariam a harmonia e a justiça?

            - E olha que nem precisei de sacrifícios humanos para me estimular. – E os três riram a breve tempo, lembrando os prisioneiros que, volta e meia, eram ofertados a Cariocecus.

- Não questiono, aqui, os nossos feitos pretéritos – intervinha Minerva –, mas coloco à prova o nosso futuro, a nossa sobrevivência! – De repente, o silêncio se sobrepôs aos gracejos... e a circunspecção tomava conta das mentes beligerantes. Passados alguns segundos, Marte questionou:

            - E o que mais poderíamos fazer para atacar essa onda pacifista? O que sugere?

            - “Uma grande parte dos males que atormentam o mundo deriva das palavras”, disse Burke certa vez. Ora, lembrando que, na atualidade, praticamente não há mais fronteiras para a literatura, já pensaram no malefício que faríamos se conseguíssemos minar os espíritos de quantos tentam usar a palavra escrita em prol da paz? Ataquemos os escritores, e o estrago se multiplicará.

            - E por acaso essa ideia é original? Também quero lembrá-la, oh querida irmã, de que jamais negligenciamos essa área do pensamento humano; tanto que bem soubemos inspirar muitos autores. Aliás, já que hoje estamos para as citações, recordo o americano Oliver Wendell Holmes: “A guerra é a cirurgia do crime. Por má que ela seja, significa sempre a extirpação de qualquer coisa pior.” – Marte não perdia nenhuma oportunidade de alfinetar a rival.

- E eu, o brasileiro Tobias Barreto: “Cada guerreiro que por nós combate é a ira de Deus que se faz homem.” – complementou Ares, aderindo à zombaria.

- Sempre a impulsividade sobrepondo-se à racionalidade... Não quis fazer alusão a esse ou àquele escritor, propriamente dito. Referia-me ao Concurso Mundial de Cuento y Poesía Pacifista, e que, pelo que fui informada, ganha adesões a cada minuto.

- Esclareça melhor o seu plano, Minerva. O que você pretende realmente? – Carioceus falava por todos.

            - Eu explico: é notório que as palavras, sobretudo as escritas, sempre foram mais fortes do que as espadas ou canhões. Chegam a milhões e se perpetuam na história. Ora, indaguei a mim mesma, como contra-atacar os nossos inimigos e conseguir com que sejam derrotados?

            - Como?! – Perguntaram, a uma só voz, os três armipotentes.

            - O segredo está em convencer-lhes os espíritos de que são incapazes de mudar o ser humano. De que seus esforços, suas palavras serão sempre inúteis; uma luta em vão, uma tola utopia. – Um leve sorriso, misto de maquiavelismo e prazer, formava-se espontâneo nas fácies bestiais.

            - Agora entendo aonde quer chegar, Minerva. Tratemos de convencer os participantes de que são impotentes diante da beligerância inata dos mortais e esse concurso será o maior fiasco de todos os tempos! – Era a primeira vez que Marte concordava com a parenta.

            - É claro!... Com isso, toda a Terra reconhecerá que, se até seus poetas e prosadores deixaram-se levar pelo desânimo, do que valeria ao povo que os toma como exemplos perseverar no ideal pacifista? – Ares somava-se em entusiasmo.

- Brilhante, oh deusa da guerra diplomática! É como eu sempre digo: as boas ideias se revelam simples e eficazes. Sendo assim, proponho um brinde – e a potestade lusitana levantava a taça –: ao malogro desse concurso!

- Ao malogro! – E beberam, e riram, e celebraram por toda a noite.

            Era preciso agir rápido. Cada divindade ficou encarregada de atuar em uma parte do globo. Marte, por exemplo, não abriu mão das Américas; Cariocecus, de toda a Europa... Minerva e Ares não se opuseram e dividiram o restante de comum acordo.

            No dia seguinte ao refestelo, e mesmo sob a viva lembrança de Baco que bem lhes pesava ao raciocínio, os potentados partiram com seus exércitos rumo às casas dos concursandos. E o cerco teve início, implacável, impiedoso...

            - Ah, como é nobre a sua intenção. E quão bela a sua veia artística! – Comentava Ares, consigo, junto a uma promissora poetisa. – Pena que tudo farei para tolher-lhe o ânimo. Que tal...? as últimas investidas da Coréia do Norte? Lançam uns mísseis aqui, outros ali... e a boa e velha Guerra Fria está mais viva do que nunca.

            - Vejo que seu conto está prestes a acabar, pretenso aprendiz de best-seller. – Sussurrou Marte, em tom desdenhoso, a um romancista consagrado. – Quem sabe eu possa desencorajá-lo, enfatizando que o homem continuará a não dar ouvidos à história, pois os campos de concentração, que pensavam estar para sempre enterrados, ainda ardem nos corações bósnios, face ao extermínio perpetrado em Srebrenica?

            - Nada como reinar aquém da Taprobana... – Cariocecus deleitava-se ao regressar a Lisboa. Nunca se desapegara do seu antigo Condado Portucalense... – Percebo vigor e idealismo neste jovem ensaísta. Seu currículo só tende a florescer. Bem... que tal se eu o lembrar do comércio escravagista que os nossos patrícios desenvolveram? Ou então... Dos arbítrios que seu avô salazarista cometeu? Certamente essa breve retrospectiva o envergonhará e o desalentará, pois o levará a crer que os mortais continuarão a se chafurdar no erro, século após século, mesmo que admitam a história como uma espiral ascensional.

            - Que otimismo na terceira idade! Não pensei que chegando aos oitenta e dois anos ainda houvesse esperança dentro desse coração velho e cansado. Quer dizer que a literatura infantil é o seu passatempo? Curiosa coincidência... pois o meu é, justamente, desvirtuar a juventude! – Nunca viram Minerva tão pérfida! – Vejamos... Idade provecta, vida sofrida... Pois eu pergunto, senhora, se tem tão pouco tempo de vida; se viu guerras e até viveu comoções intestinas... será que ainda há tempo para ensinar algo de bom aos pequeninos, pois, mais cedo ou mais tarde, engrossarão as fileiras de soldados, revolucionários ou terroristas?

            E os meses foram passando... A cada dia, os comandantes divinais eram informados por seus generais sobre as investidas aos participantes do concurso. Romancistas, poetas, contistas, sonetistas, ensaístas, novelistas... todos os que, com sua arte, procuravam contribuir para a prosa ou para poesia pacifistas eram acossados das mais variadas formas; nunca olvidando dos objetivos e dos meios traçados por Minerva. E toda vez que o quarteto divino se reunia para avaliar a ofensiva, era difícil saber qual deles cantava maior vantagem sobre o outro. Os semblantes, no entanto, camuflavam a realidade dos fatos, escamoteando-os nos torreões do orgulho...

E o concurso continuava... e por mais que os deuses guerreiros afirmassem que os resultados que obtinham eram satisfatórios, ou que os relatórios apresentados por seus comandados fossem, como diziam, positivos, o número dos participantes não diminuía; pelo contrário, mais e mais escritores se inscreviam!

- Eu não consigo entender o que aconteceu! – bradou Marte num arroubo de cólera, pois que encantoado pela angústia. Mas antes que algum dos demais ousasse uma justificativa, um general se aproximou e disse:

- Oh altipotentes, um nosso espião conseguiu uma cópia de um dos poemas finalistas. Tentará nos enviar o outro, bem como o conto selecionado, assim que a oportunidade lhe for favorável. – E o entregou à mentora belicosa.

Minerva estava trêmula e envergonhada; muito distante da genialidade que um dia inspirara Odisseu a imaginar um grande cavalo de madeira... Ares, então, tomou-lhe o papel e, em voz alta e pausada, começou a ler um soneto.

E a cada verso, em que se entrosavam perfeitamente decassílabos e alexandrinos, mais um quê de originalidade, revelava aos demais que o esforço que tanto despenderam, esse, sim, tinha sido em vão:

 

Um só caminho.

 

Em meu reino, de onde posso tudo ver,

                                   conta bendita a que me doei,

                                   só vejo a luz que de mim criei,

                                   nunca desânimo, em que não quero crer.

 

                                   E se muitos há que te levam a arder,

                                   pecadores por quem sempre roguei,

                                   avatares alhures enviei.

                                   Segue-lhes os passos! Isso, sim, é viver.

 

                                   Mas o homem insiste em se desviar...

                                   e não se detém. Conquista; mata; erra.

                                   Enloda-se no poder que o faz cegar.

 

                                   Destarte, retorna ao pó pela guerra...

                                   Mas, não duvides, nasceste para amar.

                                   Faze, pois, o que te cabe! Paz na Terra!

 

 

 

NESTE ÁTIMO...

 

            “Click”.

            - Tenho exatamente o tempo que medeia entre este estalido e a secção do pescoço de Hamida Djandoubi para dar o meu testemunho, para dizer a que vim. Sei que os milionésimos de segundo consumidos para que uma lâmina oblíqua de cerca de 40 kg percorra na vertical a distância de 2,3 metros e atinja esse pobre coitado não parecem ser bastantes a qualquer comunicação... No entanto, se me reservaram o âmbito deste conto é porque não titubearam quanto à sua suficiência. Além do mais, falo na velocidade do pensamento.

            - Sendo assim, permitam-me que me apresente: chamo-me Joseph-Ignace Guillotin; era francês e exerci a medicina no século XVIII. O patronímico? Apreenderam bem. Mas poucos sabem que foi graças à sátira que o jornal monarquista Actes des Apôtres fez ao projeto que apresentei à Assembleia Nacional, e que dispunha sobre a democratização da pena de morte, que entrei para a história... – “Esta máquina supliciadora deveria trazer a doce denominação de... guilhotina!”

- Mutatis mutandis, eu e o meia armador Gérson cometemos o mesmo pecado: agimos de boa-fé num mundo em que a má-fé impera. Na realidade, o que me motivou foi a extrema compaixão aos condenados. Considerava que o enforcamento e a decapitação com o machado poderiam causar grandes e desnecessários sofrimentos. Esta, às vezes não cumprindo o seu papel ao primeiro golpe; aquele, por vezes acarretando uma agonia que se protraía por horrendos minutos.

- Seja como for, o fato é que volto neste 10 de setembro de 1977, aqui em Marselha, para rejubilar-me com este átimo que se esvai. Mas, por favor, não mais deturpem o que acabo de dizer... Regozijo-me, sim, com esta data, não só porque poderei amparar essa alma decaída, mas, sobretudo, porque será a última vez que a pena de morte será aplicada na França! Sim, caros leitores, amantes da verdadeira liberdade, a macabra Prece Revolucionária nunca mais será recitada! – “Repleta teu cesto divino com cabeças de tiranos.../Santa Guilhotina, protetora dos patriotas,/Rogai por nós./Santa Guilhotina, calafrio dos aristocratas,/Protejei-nos!”

- Vive la vie! Vive la France!

 

 

COMO A FERRUGEM E A TRAÇA.

 

Ontem fui ao clube. E lá tive o desprazer de reencontrar Arimaze. Concordo que o nome (mesopotâmico) causa justa estranheza. Mas, explico: se de um lado procurei acautelar-me de uma futura ação indenizatória, preservando-lhe a identidade, de outro, foi ele quem mais se aproximou dos meneios com que ainda sou obrigado a conviver, em razão das circunstâncias.

E não foi fácil achar um bom representante. De primeiro, pensei em Salieri. Mas Mozart advertiu-me ser óbvia a ilação, o que não respaldaria a criatividade deste texto. Ao depois, cogitei em Juliana, a ex-empregada de Luísa. Mas veio Eça e me confidenciou que o primo Basílio tudo fizera para esquecer aquele arroubo, e não convinha que fosse desenterrado. Fui, então, à Grécia Antiga, e achei em Ftono a luva que servia. Nix, a personificação da noite, instou-me a que não envolvesse o nome de seu filho, pois ainda se ressentia dos dissabores que suas provocações infligiram às deusas Atena e Hera. Por fim, pedi licença a Voltaire, e este me apresentou àquele babilônio e a Zadig, o objeto de sua inveja. Encontrava a expressão que me faltava.

Mas se fiquei indisposto, hoje me revigoro, e esta crônica é a sua consequência. Dessa forma, faço a seguinte pergunta, que endereço a Arimaze, onde quer que se encontre: Numa relação entre invejoso e invejado, quem é que sofre? E antes que os milionésimos de segundo tragam a ululante resposta, Fr. Luiz de Souza se interpõe e, como que repetindo Antístenes, o pupilo de Sócrates, pontifica: “Assim como o ferro se consome com a ferrugem, assim o invejoso se está consumindo com a inveja.”

E diante do insofismável, que dizer ao súdito do longínquo império? Que seu ilusório senso de superioridade nada mais é do que uma das muitas máscaras com que a inveja lhe encobre as fuças? Que “A inveja é uma confissão de inferioridade”, como afirmou Philarete Chasles? Que “Onde há inveja, não há amizade”, como cantou Camões?

Quem sabe não seria o caso de pensar em Goethe, e, como Werther, seguir lendo o meu Homero. Afinal, se o próprio autor de Ilíada e de Odisseia atestou que “O invejoso emagrece com a gordura alheia”, nada mais prático do que me sentar, folhear, e dar tempo ao inexorável definhamento.

Talvez fosse melhor enfatizar – quiçá, ensinar – que a saúde dos portadores da “traça do talento”, como diria Campoamor, debilita-se com o tempo, a exemplo do aclarado no brilhante ensaio As mil e uma faces da Inveja, da lavra do Dr. Roque Theophilo, em que o ilustre professor demonstra serem eles geralmente ansiosos, tristes, revoltados, e muito mais vulneráveis às moléstias infecciosas, tais como a gripe, a herpes, e às doenças psicossomáticas, que podem acarretar câncer.

Há quem sugerisse lembrar da empatia, e, com isso, procurar sentir-lhe compaixão. Belo pensamento. No entanto, sou forçado a questionar-me: Tenho abnegação bastante? Confesso que não.

Cuidado, Arimaze, pois no conto em que você existiu, o iluminista francês escreveu que “O invejoso morreu de raiva e de vexame”...! Não é uma ameaça. É uma advertência.

De outra parte, alguém poderia cogitar da soberba, a prima irmã do “Gigante Rubro”, de Mira y Lopes. Concluiria, assim, que o autor é uma alma insatisfeita, e que supõe invejosos ao seu redor. Ora, por uma questão de equidade, e porque não temo a réplica, de antemão disponibilizo esse mote a Arimaze, rogando-lhe, contudo, que medite sobre o que aqui foi pincelado.

 

 

 

 

 

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