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Crispim Quirino
Nacionalidad:
Brasil
E-mail:
Biografia
TARDE DE JUNHO

Chega um tempo em que no se mais criana.
Um tempo de sonhos e inquietaes.
De marcantes memrias
ou ventos que sopram segredos.
Igrejas coloniais.
Santo casamenteiro.
Casas de barros suspensas no ar:
despertam gigantes. Onde o Cruzeiro
pisca seus olhos.
[Esta cidade perdida esquecidamente brota cocos.]
De longe um canto palpitante.
Choros de corpos no fundo de um rio.
Senhoras em casa apaixonadas longamente.
Maragogipe, que fazem seus braos,
sua barba de mil traas,
seu formato auspicioso
nesse tempo de lentos passos
e cabeas desconcertantes?
Tarde: fim de outros fantasmas.
E a chuva levanta-se atentamente de seu profundo sono.

RECADO A DRUMMOND

Homenagem a Crispiniano

No meio do caminho
no meio do caminho
o caminho o caminho
se perdeu.

No meio do caminho
no meio do caminho
o ca _ ~~~~_////???...
minho se perdeu.

No meio do caminho
no meio do caminho
do caminho do meio.

POEMA PARA A AMRICA

verdade que minhas lgrimas
cortam o papel, bem como a geografia.
[No se engane com um sorriso.]

E tambm verdade
que uma alma sai do cho
e pousa no mar
s para fotografar nuvens.
verdade.

verdade que os poetas no se foram.
Outros poetas viro: de finos passos.
Como vem todos os anos a primavera.
Disso [tambm] verdade.
o sol.

E que surgem homens no poetas,
mas que cantam versos
e chamam por filhos e mulheres
como anjos em Atenas,
como jardins floridos
para a melodia dos pssaros.
Disso, verdade.
E verdade que essa caneta fala
como quem diz de si, algo.
Disso [tambm] verdade.


SENSAES DO ANJO DE MAIO

Durval de Moraes

Deito sobre as sombras
e meu corpo cai como pena
sem o balanar dos ventos.

No meu eu em mim
derrubo corpos
que se levantam como espumas
em forma de miragens.

Quem balana o mar?
Nina calmamente os assobios?
Acalma o sono no arrepio da noite?

Cai o cho.
No leve suave da pena
forma brando o cu...

L vai Deus em seu carrinho de cristal
que os olhos miram no limite do horizonte,
vai Deus brincar feito criana
as nuvens lembranas
contadas pelo rapaz no sono: l vai...

Nesse momento se banham as coisas
e um adeus anuncia a nova chegada.


Biografa:
Crispim Quirino

Alguns poemas que devem ser apresentados aqui no presente trabalho. Mas antes disso preciso e necessrio fazer algumas observaes.

Filho de Rosngela dos Santos e Carlos Dias Quirino, Crispim Santos Quirino, Quirino, como gosta de ser chamado, cujo pseudnimo Lus Boa Nova, j escreve desde os treze. Nascido junto a seu irmo em 20 de novembro de 1984, na Patritica Cidade de Maragogipe, interior do Recncavo da Bahia, participou de diversas antologias poticas, a exemplo da EDC Publicaes pela Fundao Luiz Ademir de Cultura dentre outras; possuidor de uma coluna no Jornal O Guarany da Cidade da Cachoeira e na Tribuna Popular da cidade natal onde comenta sobre poesia e arte, tendo nessa ltima participao breve; ganhador do concurso Ibero Americano junto a EDC Publicaes; professor de literatura nos cursos pr-vestibular Razes Negras do Recncavo em Cachoeira/So Flix e A Cidad; Diretor de Cultura da Fundao Verde e Arte na localidade de So Flix; convidado a participar em Cachoeira do Caruru dos 7 Poetas em 2.009 realizado pelo poeta baiano Joo de Moraes Filho ganhador do prmio Braskem de Cultura e Arte. Participou do concurso de poesia Os 13+ [2.010] pela prefeitura local da cidade natal, dentre outros. Formando pela Universidade Federal do Recncavo da Bahia [UFRB] na rea de Museologia. Seu livro de estreia, desde 2.009 elaborado e s vindo em parte [agora ou logo depois] ao conhecimento do pblico, procura rememorar a esquecida cidade natal [como faziam os sbios com a cidadela e inesquecvel cidade de Tria] onde sabiamente d a existncia com o oportuno ttulo de A cidade perdida mostrando que Chega um tempo em que no se mais criana, frase do poema Tarde de junho de seu mesmo livro, para [re]nascimento e existncia da cidade e de sua vida.

Sua principal influncia potica vem de Carlos Drummond de Andrade, passando pelos poetas Leminski, Pessoa, Quintana, Neruda, Rilke e Maiakovski. Considerado por muitos como o poeta do tempo. Esse o poeta do interior. Busca atravs do Recncavo da Bahia apresentar a singela poesia tpica da raiz brasileira, dando dessa forma a possibilidade de outras construes.

Enfim, dessa forma que os versos aparecem [...]. Com isso, sente, respira, vive e reflete a poesia, pensando sempre em sua forma e em sua arte de existir como quem se vai se apresentando [...]. Poemas que podem ser vistos em A cidade perdida e agora aqui.

C.S. Q.

crispimquirino@yahoo.com.br

 

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