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Joo do Carmo Martim
Nacionalidad:
Portugal
E-mail:
Biografia
O que na areia escrevo s conchas confesso

O que na areia escrevo s conchas confesso
trabalho sempre no limiar da efmera palavra
no renovar das pginas que me descobrem
lento deslizar da noite que adormece gritando
S o mar o meu editor
mergulho para actualizar a escrita aqutica
edito os meus textos ao ritmo gramatical das algas
Das palavras presas nos adjectivos corais
algumas letras emergem para respirarem
para se lembrarem das areias onde nasceram
depois regressam para um poema perdido
nessa insondvel acrpole
onde respira tambm o meu peito insepulto

Um dia baixarei aos oceanos

De onde vem o cheiro seco da conscincia a nadar
Desse mar de pedras feito da multiplicidade dos desertos
ou das brechas que abres na perfeio fictcia dos muros

Procuras o silncio distante a ecoar ressonncias de qu
Se a msica nos intervalos das ondas
sobe iluminada sobre as pedras evitando os cardumes

Continuas a pisar desejos nos degraus do sonho
mesmo sabendo da aproximao da espuma dos dias
da velocidade crepuscular das vagas de solido

Um dia baixarei aos oceanos
voltarei sobre as ondas cmplices para te ensinar
o desespero de viver como uma forma de amor

E a memria se dissolve nos limos

No mesmo instante em que
explodram as nuvens
lanei-me ao mar
deixando o camarote para trs
Como explicar a tempestade desta atraco
s aves e coisas que morrem
s almas aprisionadas em vagas de cimento
ou aos dedos exaustos de tocarem
sempre a mesma msica
Fosse do que fosse
passei a integrar a suavidade densa
daquele corpo lquido
numa impossibilidade absoluta de solido
Como uma dana
os gestos se tornaram transparentes
na ntima fluidez onde
se escreve quando anoitecem as guas
por entre o borbulhar da
permanente curiosidade dos peixes
e a memria se dissolve nos limos
que nada podem queimar

biografia:

Algumas notas biogrficas

Joo do Carmo [de pseudnimo Joo Martim para a poesia], nasce a 9 de Fevereiro de 1953 em Lisboa, Portugal.
Pintor, poeta e professor de Artes Visuais.
Comea a escrever poesia [1985] em cadernos de pequeno formato que vai coleccionando sem outro intuito.

A partir de 1995 escreve incessantemente, completa e refaz uma srie de poemas - Lpis de Vida- noturnos em imperceptveis tonalidades, escritos entre 1995 e 2001,
e incia nova srie - 2 Preldios antes do amanhecer.
A partir de 2001 recomea a pintar uma srie de 18 quadros intitulados Cenrios - teatros da forma, inspirados em poemas e textos de prosa potica por si feitos em 2000.
Em 2002 continua a pintar esta srie de quadros, que concluir j em 2003 com vista a uma exposio individual em Abril de 2004. Continua a escrever nova srie de poemas - De que plasma agora sou.
POIESIS VII - Colectnea de poesia e prosa potica - Editorial Minerva, Maio 2002.
O ESTADO DO MUNDO - Poema colectivo, edio em livro e CD. Coimbra, Abril 2004.
Participa e colabora em revistas e jornais de literatura e poesia e em stios na Net nos canais portugueses - O Fulgor da Lngua [no mbito das comemoraes de Coimbra capital portuguesa da Cultura]; Crculo de Cultura Portuguesa, Refgio de poesia, Poesia e Prosa, e nos brasileiros Nave da palavra e Arte da Palavra.
3 Festival - PALAVREIROS - Da Mundial de la Poesa “Por la unin de los pueblos atravs de la poesa'edicin del ao 2004 - homenaje: 'Pablo Neruda - 100 aos 1904 - 2004.
ELOS DA POESIA - Colectnea de 300 pginas de 12 autores contemporneos portugueses,edio simultnea em Paris e Lisboa, Novembro de 2004.
Colabora com ilustraes e edita poesia nos cadernos da coleco VIOLA DELTA do grande poeta e amigo Fernando Grade.
VIOLA DELTA XXXVII - Poemas sobre a Terra natal e outros.
VIOLA DELTA XXXVIII – Poemas sobreViagens e outros.
VIOLA DELTA XXXVIX - Poemas sobre o Co
VIOLA DELTA XL - Poemas sobre a gua e outros textos.
VIOLA DELTA XLI - Poemas sobre Bocage e outros textos.
Edies Mic. Coordenao Fernando Grade, 2004-2005
ELOS DA POESIA - Colectnea de 300 pginas de 20 autores contemporneos portugueses, edio simultnea em Paris e Lisboa, 2004.
DE QUE PLASMA AGORA SOU - Poesia, a editar em 2006.

 

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