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Antnio Jos Coutinho Gonalves Basto
Nacionalidad:
Portugal
E-mail:
Biografia

AFRICANDISSES

Abafa-me, o teu bafo
Morno, que exalas e respiro,
Envolve-me, o teu pó
Vermelho feito argila,
Com que abraças, teus adobes
E sustentas em teus céus,
Os colmos apontados às estrelas,
Que vestes de diamantes,
E missangas coloridas,
E de panos de algodão fino,
Com que adornas tua pele,
Penteados, feitos esculturas
Onde brandes teu cinzel,
Com que vazas as Takulas,
Nas entranhas nascem as pirogas,
Que mergulham no teu mar.

Deixa-me banhar também,
Nesse mar feito espelho,
Que reflecte o Sol dourado,
Que viaja desde Oriente,
Cuspindo lágrimas de fogo,
E longos fios de prata,
Que se afogam em tuas águas,
Como sombra de palmeiras,
Com que abanas a brisa quente,
E refrescam as doces areias,
Que abraçam o teu mar.

Este escopo que é desejo,
Que se funde com a memória,
Do tempo que não tinha tempo,
Reviver a terra quente,
Que percorro sem cansaço,
E me enche de saudade,
Dos sobas, do Ivens e do Capelo,
Do Luali e do Malembo,
Da cor, da luz, do seu odor,
Das mangas e da carambola,
Das sanzalas, dos musseques e sua gente
Das rebitas e do merengue,
Da floresta, da savana e das picadas,
De Luanda e até do Huambo,
Mas aquilo que eu almejo,
É de novo, beijar este lugar.

Antonio Basto © 25/03/2009

A morte espreita..[A Guerra]

E tu que não dormes,
que esperas indefinidamente,
a surpresa com cheiro a morte pela calada da noite.
O fru-fru das folhas daquelas enormes arbóreas,
camuflam o medo de que só o suor frio
e o do odor da urina do companheiro do lado,
se vislumbra.
O silêncio gela no calor da mata,
os animais nocturnos irrequietos,
trespassam teu coração com seus roídos.
E tu continuas impávido,
dobrado sobre os joelhos emboscado à espera.
À espera que a morte surja de qualquer lado,
com o cheiro a pólvora,
vomitado por uma qualquer arma.
Como é ridículo estares vivo à espera da morte,
Sabendo que acabaste de nascer,
e a tua vida só ainda agora começou.
Que injusto,
Morrer por um nada que nem conheces,
Sem ter tempo de viver,
o amor e os afectos da tua própria vida,
que já não é vida.
Se partir em viagem até à eternidade,
Agarra estas palavras e cola-as no meu caixão,
porque quero que o mundo saiba,
que minha morte foi em vão.

Cabinda-Angola]
Antonio Basto © 15 Outubro de 1974


MANIFESTO

Venha Dante ou alguém,
Dizer que a vida é assim,
Ou que a vida é assado!
Porque a vida é ternura
E é também uma loucura,
Aqui e em qualquer lado
Porque a vida é amor,
E também um horror,
É o hoje e foi no passado
Porque a vida é alegria,
E também cobardia,
E ninguém fica espantado
Porque a vida é felicidade,
E também antro de maldade,
E disso já estou cansado.

Porque a vida é o que quero,
Neste lugar que é efémero, mas é aqui!
Ela é o que eu faço,
Sem tempo nem espaço, mas é aqui!
Ela é o que sinto,
Nesta espécie de labirinto, mas é aqui!
Ela é o meu sonho,
Mesmo que seja medonho, mas é aqui
Ela é a minha alma,
Sempre serena e calma, mas é aqui
Porque a vida é assim,
Simples e sinuosa,
Clara e obscura,
Mas não sei se é aqui.

Pois que venha,
Venha Dante dar lições,
Escrevendo manifestos,
Porque a vida só vai mudar,
Quando o poeta cantar
Que a felicidade é uma mania
E amor uma utopia.
E se eu aceitar essa mentira,
Como se fosse a verdade,
Então eu já não estarei aqui.

António Basto © 14/03/2009

biografia:
António José Coutinho Gonçalves Basto

Natural da cidade de Braga, onde viveu até hoje.Estudou no Liceu Nacional Sá de Miranda onde conclui o 7.º ano do Curso dos Liceus [hoje 12.º ano de escolaridade].Frequentou o Curso de Engenharia Civil até ao 4.º ano, que interrompeu por ter sido convocado para o serviço militar obrigatorio de 1973 a 1975, mobilizado para a Guerra Colonial em Angola, com o posto de Alferes miliciano de Operações Especiais [Ranger\'s].
Foi funcionário da Direcção-Geral das Contribuições e Impostos, tendo-se aposentado com a categoria de Perito Tributário [Chefe de Repartição].
Tem 2 filhas.
Foi Presidente da Associação Portuguesa dos Veteranos de Guerra de 2002 a 2006.

antonio.basto@hotmail.com

 

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