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Ivaldo Roland
Nacionalidad:
Brasil
E-mail:
Biografia
O canto do cisne

Fortaleza teus olhos brilham com intensidade
luz da lua e o cu da cidade!

Apreenso dona da alma,
alegria brilho e impacto.
o entusiasmo efusiva a calma,
as luzes abrem a cena, inicia o ato.

Abrem-se as cortinas,
o espetculo magnfico!
O cu o lago espelha, os cisnes danam,
ao pirouette, ao adgio entranam.
O grand jet, a sublimao.
A paz, o allegro e a luz,
o grand allegro a intensidade seduz,
o fouett s guas em revoluo.

So belos passos, so graciosos.
Ao palco leve tocam harmoniosos.
Na beleza do corpo contoro
no se percebe a fora
do rduo trabalho da moa.
A graa delicada cortina o esforo.

No ensaio de cada dia,
a persistncia, a disciplina sadia,
e a qualidade aperfeioam o artista.
Testemunham o suor e o tempo,
s nos revelam no mgico momento
ao espetculo, s luzes e vista!

A arte brinda, o momento de festa,
ao jbilo e olhos em expresso como esta.
comoo j delineia o movimento,
desliza suave a bailarina,
s cores a beleza descortina,
o canto do cisne, o ltimo alento.

Mas vem a noite de um dia,
nem lua, nem noite sabia.
Uma bala sem disfarce ferina,
Msera bala no perdida,
de Braslia conhecida,
disparada contra a bailarina.

Tinem os gldios, a futilidade,
a boal cumplicidade
e covardia do prepotente.
A barbrie e vilania razo se ocupam.
Homens ocos no se preocupam
com o valor da vida e morre o inocente.

Fortaleza teus olhos choram,
o corao assiste,
o estarrecer da rua, esta noite triste.

Meu Deus, uma jovem bailarina!
To jovem to linda!
Eu choro a ternura e canto a dor,
maldigo o homem que o tiro desfere,
a arte e a candura exaure,
rouba a vida e deixa o horror!

S a mente insana,
capaz de estupidez tamanha,
por motivo ftil, notrio e fugaz,
se arma de violncia,
abuso e prepotncia,
ao instante lhe brutaliza mordaz.

Tal era a nsia de matar,
obsesso e fria no o fazem pensar.
To logo na avenida emparelha,
sem que ao fato o jri releve,
a inteno lhe foi a mais breve,
pelos vidros dispara besta fera.

De frieza prpria do grotesco,
moldura quadro dantesco,
mas o remorso lhe mostre vida ferina,
homem sinistro e escuso,
j que ndole se fez uso
assassino de uma bailarina.

De qualquer forma,
o homem que empunha uma arma
ao testemunho olhos da rua,
aponta a um casal e gratuito dispara,
seno este que outro nome ter
se a nica arma era a sua?

O pai do algoz: Todo dinheiro gastarei!
A me de Renata: S conheo o limite da lei.
A soberba insinua a prpria arrogncia.
Os limites da fora a demonstrao,
cidade se impe humilhao,
mtodos prprios da violncia.

Em meio s agruras da cidade,
lutar sem temor pela verdade
contra o teatro que encena,
a mentira que se instala,
ouvidos surdos, a boca que cala,
esta luta deve valer a pena!

Onde est teu corao, cidade,*
Permite a vilania e a maldade
desonre tua alma, vergonha atia
e o demnio deixe o vazio e a dor?
Onde est teu amor,
que foi feito da justia?

Sei a dor da perda do filho,
a vida nos priva seu brilho.
Agora dedicada artista perde a cidade
por um crpula solta,
mais eu penso mais me revolta
na luta desigual dos pais pela verdade.

preciso que muito se reflita,
ao bem a verdade seja dita.
A revolta do corao se apossa,
um maldito, o infortnio e a sorte,
ao rumor de sangue e de morte,
a filha poderia ser nossa!

A dor imensa e grande o desgosto,
a conscincia do jri no lhe mostra o rosto.
Palavras esquivas, a decncia abomina,
porque o racional no absorve,
a justia a vida no devolve,
e pasmem se a soltura o juiz determina.

Argumentem o que argumentem,
os fatos ao bvio no mentem.
O ininteligvel aqui se exemplifica,
opinio a verdade mascara,
d um sco na nossa cara
e ao corao petrifica.

A torpeza o espectro da violncia,
a injustia insulta a conscincia.
A impunidade respalda monstros e horrores,
a responsabilidade de quem tem o dever,
ao cidado o direito de dizer:
Ser que no sabem estes senhores?

Mas monstros mesmo
fazem da verdade o ermo.
Os senhores, os que maculam a toga!
De monstros permitem a impunidade,
a infmia sobre nossa cidade,
sabe-se l do que em troca!

A reflexo estarrece os sentidos,
assim incrdulos aturdidos,
afinal que valor tem a vida?
Que sociedade esta,
sinistra e funesta,
Se com facnoras convive e abriga?

Sinto vergonha do meu pas podre!
To belo to podre!
Indigna saber estes fatos.
O grito do escrnio estremea as mentes
de homens gelados e postura indecente.
De homens assim s se sente asco!

Estes so limites da tolerncia
ante desonra que avana.
Do homem os valores corri
tal ftida carnia,
pois sem justia
nenhuma nao se constri.

A esperana a luz de uma cano,
Mas resta indignao
ao homem que perde o encanto
se falha a moral, a justia e a tica,
os princpios em que se credita
para sociedade justa e da liberdade um canto.

Fecham-se as cortinas,
termina o espetculo.
No h aclamao para este ato,
o cisne morreu de fato.

Se a injustia denigre a nao,
das bibliotecas rogo o maldito,**
dos cus lhes caia o pesar infinito,**
ficam a dor, lamento e indignao.

A justia dos homens sbia.
Dito assim parece at que nos conforta.
Pode at errar mesmo sbia
e a bailarina est morta!

Fortaleza teus olhos choram, o corao assiste
as lgrimas da vergonha, esta noite triste.

Poema para Renata Braga, a bailarina
assassinada na Avenida Beira-Mar
em Fortaleza na madrugada
de 28 de dezembro de 1993,
apresentado s Rodas de poesia
no Centro Cultural Drago do Mar em 28.12.1998
com a presena das entidades contra a violncia, amigos e parentes de
Renata.
O assassino continua impune.

Agradecimentos
Ivaldo Milhomem Roland,
Oneide Braga de Carvalho[me da bailarina],
Escola de bal Madiana Romcy,
Antenor Barros Leal,
George Jnior Barros Leal,
e aos transeuntes annimos
da avenida Beira-mar.

*Thiago de Mello, A cara da cidade.
**IR, versos do poema Fortaleza.


Dedicado a: Renata Braga, 20 anos, bailarina. Assassinada em Fortaleza
em 28 de dezembro de 1993.

_____________________________

Os homens sem escrpulos

Ns somos os homens sem escrpulos.
Vivemos pelo fausto deslumbrados
E vidos por tudo benemritos,
Mas somos da verdade sempre esquivos,
Aqueles da mentira sempre dbios.

Nosso infortnio somente o descuido,
Quando escroques nos revela de pronto.
Sem ndole, sem remorso,
Sem pena, sem dor,
Sem brio, sem honra.
Mesquinhos e venais,
Obtemos o que queremos
Por qualquer meio escuso.

Ns somos os homens sem escrpulos.
Nosso caminho funda-se e respaldo
Da universal infmia.
O vcuo como essncia.
O ar solene abraamos,
Mas sob o ouro da arrogncia
No h nada.

Aqui a terra dos homens sem escrpulos,
Aqui a tica no brota.
O jardim que a aparncia esmera,
Do mal mimticas flores cultiva.
Enquanto movem-se espectrais pelo cinismo,
Riso por nossas bocas desditas.
E na nsia pelo lucro indevido
Funesto regozijo habita:
O sucesso a qualquer custo,
Nada mais importa.
Somos o aborto da ganncia.
Nossa real emoo caracterizam as cifras.
O malefcio em ns impregnados,
Palavras inexpressas o perfil proclama,
Sua inumervel face:
Corruptos de toda ordem
Para todos os fins.
Bajuladores e outros mentirosos.
Farsantes. Plagiadores.
Grileiros. Contrabandistas.
Estelionatrios. Fraudadores.
Perversores. Perniciosos.
Certos senhores da justia
Que fazem da verdade o ermo.*
Criminosos de toda espcie.
Tiranos. Falsos democratas,
Os que vm mrito em governar misria.
Aparentamos tantos e somos os mesmos,
Somos os homens sem escrpulos.

Quando poderosos,
Mais inescrupulosos somos,
Avessos a qualquer virtude escassa,
E usufruimos da facilidade
Porque nos servem gente lacaia.
Condio que se esmera
Substantiva do prprio degrado
Nos mais desprezveis da terra.
E mais servis so pelas migalhas
Que nossa vil soberba lhes amassa.
Por isso tambm sem brio, sem honra,
Sem pena, sem dor,
Sem ndole, sem remorso.
E na baixeza dos meios empregados,
Somos execrveis de todo,
Somos de todo falsos ilustres.
Ns, lacaios e poderosos,
Somos iguais inescrupulosos
De mesma escria formados,
Idnticos vazios de alma.
Somos todos vis de mesma laia!

Ao suborno dos responsveis,
Das cidades infringimos os cdigos,
Sem que se saiba o mal que causamos
E a hipocrisia veicula
como numa aluso a prdigos;
Das terras nos apropriamos;
Polumos o ar e a gua;
Extinguimos os ndios e devastamos florestas,
Causamos a fome de milhares e injria
Ao lesar tesouros
E o ludbrio das ptrias.
Somos tais os carentes do amor de me,
Tambm do valor do prprio pai,
Como os prias sem culpa,
Tampouco so como ns somos,
Frios de mau carter,
Em todas as lnguas de igual significado:
Somos os autnticos filhos da puta!

*O canto do cisne - Ivaldo Roland
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A cultura de guerra [cultiva rosas de Hiroshima]

Percorre o tempo, os nervos, os ares,
A interminvel cultura de guerra.
Avizinham-se os temores,
A devastao, seus horrores.
A paz chora breve
Um rio de sangue sobre a terra.
De que valem Hiroshima,
Os mortos da arma qumica?

Constri-se um muro, aviltam-se paixes.
Criam-se monstros, separa-se o mundo.
A fragilidade da vida,
'A morte que nossa carne teme',*
Sonho latente no concreto do bero:
So os silos da morte!
Novo sculo de uma mesma era.
Novo presidente, nova forma de guerra.
Os juros pagam a sofisticao das armas,
Mas quem nos paga pela ameaa constante?

Ainda rende dividendos a guerra do Golfo.
Aps o Vietn, Camboja, o Laos,
Esto craterados o solo afego, suas montanhas.
O que vem depois do Iraque, Venezuela?
Outra vez a Coria?A Amaznia?
Algum descubra logo nas galxias
Vazo para a indstria blica americana.

Da guerra so vs as convenes.
Da paz, as organizaes e o discurso.
Ainda que se argumente, ainda que se grite
vo o protesto e o esforo.
So vos o dinheiro e o desperdcio.
So vs a fome crescente e duas filosofias.

De que valem o Afeganisto, a Somlia,
Os desaparecidos da Amrica Latina,
Os descartveis da prxima guerra,
O Ir, o Iraque, Israel, a Palestina
Se o saldo de sempre
o lucro do belicoso,
Os mortos da hipocrisia?
De que vale uma egosta democracia,
Se o que nos sobra
So tenses: a poltica srdida,
o camuflado terrorismo: a vida contida
E a beligerncia?

De que valem Hiroshima,
Os mortos da arma qumica,
Milhares de vidas mutiladas
E oito milhes de vtimas;**
A criana vietnamita, a pele queimada,
O horror, o verdadeiro horror
Em sua face estampado,
Os mortos da guerra cnica?

*Jorge Luis Borges.
**Dados de Larry Mosqueda, jornalista norteamericano,
em seu artigo Shocked & Horrofied sobre mortes civis
causadas por bombas das foras americanas, excludo o Afeganisto.

http://www.commondreams.org/.


biografia:
Ivaldo Roland


Naturalidade: Sobral, Cear - 1952.
Escolaridade: Faculdad Arquitetura e Urbanismo - Universidade de Braslia - 1979.

ivaldoroland@gmail.com

 

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