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Jotta Paiva
Nacionalidad:
Brasil
E-mail:
Biografia

STATU QUO

O homem sem cor passou calado
Abriu o jornal, sentou-se à praça
Tudo estava cinza
E outro homem sem cor varria a rua
Na esquina logo em frente
Uma mulher sem cor
Vendia o corpo, quase nua
Um guarda sem cor
Cumpria o seu dever
Batendo num homem sem cor
Que gritava mudo
Palavras, palavras
No eco vermelho
Do absurdo
Numa loja gelada
Uma caixa ecoava
Novas promoções
Para um povo quase surdo
Que não ouvia o homem sem cor
Sentado à praça
Nem via o homem sem cor
Varrendo a rua
Nem a mulher sem cor
Quase nua
Nem o pobre guarda sem cor
Descarregando num homem sem cor
O negro sabor
Dessa loucura
E tudo estava cinza
Porque os olhos do mundo
Só viam a cor cinza
Das cinzas
Do próprio mundo.

[Jotta Paiva]

ABSTRATO DO MEU EU

Tudo em volta
Nada tem sentido,
Todos falam
Não entendo nada,
O mundo está mudo,
Ou será que sou eu quem está surdo [?]

Tanta gente,
Tantos povos
E me sinto só,
Solitário
Nada me compreende
- Também não compreendo nada.

Não vejo nada,
Não sinto nada,
Não sei quem sou,
Nem onde estou,
Esqueci totalmente de mim,
Não sei falar,
Não sei pensar,
Nem sei calar.

Não tenho luz,
Nem escuridão,
Não tenho amor,
Não tenho ódio,
Não tenho sentimentos,
Não tenho precaução.

O que sou?
Onde estou?
O que será de mim?
O que farei?
Quem sou eu?
- Não sei.

[Jotta Paiva]

Café sombrio

[silêncio! É um segredo.].

Dia desses quando acordei e sentei-me à mesa
Para o desjejum, o café falou comigo.
Falou-me com uma intimidade de colégio.
Era um negro café cearense,
Encorpado e com cabelo de anjo feito de bolhas
[de oxigênio]
Pediu-me atenção como quem leva os olhos
Para os dois lados, verificando a cozinha,
Corrigindo se alguém apareceria
Para flagrar seus segredos.

Com seu imperativo forte, ordenou-me pelo aroma
Que enfiasse a cabeça até as brenhas da xícara,
Para exibir-me os mistérios de suas entranhas.

Caí no espelho de sua cor e dentro da limpidez do reflexo,
Deparei-me comigo mesmo.
Perplexo em ter me visto assim tão de perto,
Sólido e palpável,
Senti estranhamento.

- Nunca o havia visto, não assim tão de frente - eu me disse.
- Jurava que você não existia - respondi-me

E nos olhamos-nos como se fossemos para sempre.
Mas eu não era eu, não era como no espelho
Onde só posso ser o eu que me fazem e que sigo.
Eu tinha um olhar seguro que não tenho
E falava como se sorrisse, assim com aquela confiança
Que invejo nos outros.

- Eu existo em você, mas você é arbitrário e covarde - eu me disse.
- É o mundo... - tentei.

Não adianta mentir,
Não se engana a si mesmo.
Então me envergonhei de mim mesmo
E sofri por não ser homogêneo

- Sofres? - Perguntei.
- Sofro por ser tantos pedaços - respondi.
- A vida que entregamos não é como a vida que temos - disse.
- Que queres dizer? - Indaguei.
- Somos um só, mas não somos uníssonos - expliquei.
- E qual de nós sou eu? - Interroguei.
- Todos nós: eu, você e os outros nós, ou outros eus - complementei.
- Confunde-me - constatei.
- Confundo-me sempre - acrescentei sorrindo.
[...]
- Quem eu sou, no fim disso tudo? Insisti.

E o pronome indefinido
Pronunciado por último,
Tornou-se um eco fugindo da xícara.

[tudo, tudo, tudo...].

E em minha cabeça
A resposta vazia
Refez-me o abismo:

- É o que sou: nada!

[Jotta Paiva]

biografia:

José de Paiva Rebouças
[Jotta Paiva] nasceu em Mossoró/RN no dia 17 de junho de 1982, mudando-se para Apodi/RN em seguida. Último dos seis filhos vivos de uma família de agricultores, viveu toda sua infância na zona rural.
Logo na juventude começou a se interessar pelo rádio, começando como atendente de telefone, passando a locutor/apresentador. Em 2002 foi contratado como radialista pela Rádio Vale do Apodi onde exerceu a função de repórter diário. Em 2004 assumiu a função de chefe de redação que permaneceu até 2006. O interesse pelo jornalismo lhe carregou para o caminho da notícia e em 2007 foi contratado pelo Jornal de Fato, em Mossoró, para a função de repórter de caderno, função que exerce até hoje, escrevendo as notícias da região Oeste do RN. No jornalismo, atuou em outros veículos, na maioria como colaborador.
Escreveu na revista cultural Papangu e foi colunista do jornal O Vale do Apodi.
Como assessor de imprensa, prestou serviço para as prefeituras de Severiano Melo e Martins, além de vários projetos voltados para a Agricultura Familiar, com o Projeto Dom Helder Câmara, ASA, ATOS e Coopern.
Nos movimentos sociais, foi um dos fundadores do Fórum de Entidades Representativas da Sociedade Apodiense [FERSA], da Academia Apodiense de Letras [AAPOL] e da Academia Estudantil de Letras poeta Antônio Francisco [AEL].
Iniciou as faculdades de Pedagogia, Análise e Desenvolvimento de Sistemas e Letras, mas não concluiu nenhuma. Atualmente é aluno do curso de Jornalismo na Universidade do Estado do Rio Grande do Norte [UERN].
É pai de Maria Clara e Maria Clarice. Recentemente casou-se com Regiane Santos Cabral de Paiva, professora de língua e literatura espanhola da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte [UERN], com quem ainda não teve filhos.
Sua literatura começa com a vida. Sua produção é embrionária e se resume a poesias que só foram publicadas em alguns periódicos, como no O Jornal O Mossoroense e na revista Papangu. Nos últimos tempos tem se dedicado a escrever contos que pretende publicar em breve.

jottapaiva@gmail.com

 

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