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Dauro Guimares [Cnsul - Cass-GO]
Nacionalidad:
Brasil
E-mail:
Biografia

A PESCARIA

Quase todos os domingos e dias santos o pescador pegava suas tralhas e seguia para a beira do rio. Iam pescar juntamente com o seu filho mais velho. A companhia era indispensável, o filho herdara do pai o gosto por esse laser. Os dois, pai e filho, a partir de certa ocasião, repetidas vezes passavam quase todo o dia pescando, porém não conseguiam pegar peixe algum como antigamente.
Quaisquer que fossem as iscas colocadas no anzol, os peixes comiam todas. Beliscões e carreiras que faziam imergia a ponta da vara na água. Golpes por todos os lados, davam gosto de se ver, mas... nada. Não conseguiam fisgar nenhum peixe. Aquele homem ficava triste da vida, mas continuava insistido, mesmo sabendo que o resultado era sempre o mesmo. Não perdia a esperança.
Naqueles lugares em que ele pescava existia um grande cardume, todos da mesma variedade. A cada ano aumentava mais e mais.
A multiplicação era mérito de um peixe dos mais velhos que ficou muito sábio depois de ter mordido em uma isca saborosa. Uma fruta na qual se escondia um terrível anzol. Sentiu-se trespassada a cartilagem da boca por aquele terrível aço torto. Parecia tudo perdido, o fim para ele.
O peixe fisgado lutou com todas as suas forças - que já eram poucas - indo para todos os lados, esforço em vão.
Desesperado com aquela situação viu um túnel na pedra e rapidamente entrou por ali. De um lado havia uma fenda por onde casualmente a linha de nylon entrou e se enroscou. Naquele momento houve um impacto, a cartilagem da boca do peixe rasgou e ele pode ficar livre, machucado, mas vivo.
Daquele dia em diante ele começou a passar sua experiência e conhecimento do perigo aos outros peixes. Por isso viviam em paz. E o pescador não conseguia matar nenhum deles.
A vida para os peixes estava as mil maravilhas, o cardume aumentava a cada dia. Aquela espécie nunca esperava por uma grande surpresa: de uma só vez quinze deles foram fechados por uma tarrafa. Assim, sucessivamente, no decorrer dos tempos o cardume foi diminuindo gradativamente.
Aqueles que escapavam das tarrafas caiam nas rede. A despovoação do rio foi quase total, Hoje existem poucos e raros peixes, praticamente em extinção. Não só naquele rio, mas praticamente em todos os mananciais. E mesmo estes não conseguem escapar dessas armas predatórias que assolam rios e lagos.

* * * * *

PEZADELO?

Noite escura, um ar fresco e puro circulavam lentamente entre os galhos cobertos de folhas, com cores variadas compondo o todo. A floresta composta com árvores de médio e grande porte, em perfeita harmonia com os menores vegetais existentes naquela terra vermelha e fértil. Pedaço de chão cobiçado por muitos, situado à margem direita do Rio Claro.
Driblando os grandes troncos de vegetais verdes existentes, com voltas ora para a direita ora para esquerda. Assim era a estrada dentro da mata, muito utilizada para o trânsito de carros de bois, cavaleiros e gente a pé. Não era funda, porém um pouco gasta pela erosão no decorrer dos anos de sua existência.
Foi na curva, exatamente ao pé de uma grande árvore, um mandiocão de tronco reto claro e alto.
No momento passava por ali um cavaleiro, desfrutando do conforto de sua sela, ao lombo de uma mula preta. Fred – seu nome era Frederico – um jovem que vinha da casa da namorada. Foi então que uma luz fortíssima clareou tudo, de tal forma, que se podia ver uma agulha no chão.
No momento a mula parou. Fred bradou com o animal, gesticulava com os braços, movimentava com as rédeas, esporeava-na, não obtendo nenhum sucesso. O jeito foi ficar quieto a espera do inesperado. Do lado direito do cavaleiro a poucos centímetros do chão eis que veio saindo de dentro do mato um caixão azul escuro, sem que ninguém o carregasse. Movia sozinho, seguiu até ficar atravessado na estrada à frente do cavaleiro. Por um tempo Fred permaneceu ali parado. Inertes ele e a mula. E o caixão.
O cavaleiro tentou voltar, sair daquela visão indesejada, mas todo o esforço fora frustrado. Experimentou apear, as pernas não o atenderam. Estavam duras de medo. Rezou até oração que não sabia. Nada adiantou. O jeito foi aguentar.
Naquele momento o caixão começou a voltar para de onde tinha vindo, até livrar com folga a frente da mula. No mesmo sentido transversal, passou pelo cavaleiro até chegar ao rumo das patas traseiras, isto próximo ao chão. Nesse ponto o caixão começou a subir, todo o trajeto feito devagarzinho. À altura da sela parou, na posição certa de ocupar a garupa. Se Fred quisesse tocar com a mão, estava ao seu alcance.
O rapaz não pensava outra coisa, somente que iria ocupar a garupa. E agora? O que iria fazer se aquele caixão quisesse ir com ele?
Com os cabelos crespos quase levantando o chapéu da cabeça, o coração disparado, os pensamentos a mil, seu rosto molhado com suor provocado pela fadiga acompanhada de pavor. Pânico. O tempo não passava. Aquele pesadelo não chegava ao fim. Cada minuto uma eternidade.
Por sorte dele o caixão dispensou a garupa da mula. No mesmo trajeto foi descendo lentamente até ficar na altura em que estava anteriormente. Deslocou-se para a frente até o lugar de onde saíra do mato. Afastou-se como um passo de mágica, sumiu por entre a folhagem dos ramos.
Naquele momento a luz apagou. Tudo ficou escuro, mais ainda que antes, por certo devido ao fato de antes estar a vista acostumada com aquela claridade muito forte.
Marchando como se nada tivesse acontecido lá se foi a mula levando o cavaleiro com o corpo duro sobre a sela.
Pouco depois, ao chegar a sua casa, foi recebido pela mãe com uma lamparina à mão. Dona Romilda ouvira o tropel e veio recebê-lo, com a intenção de auxiliar o filho.
Fred dispensou a luz trazida pela mãe. Preferiu fazer no escuro tudo que precisava: desarrear a mula, guardar a sela e seus componentes, soltar o animal para o pasto.
Foi dormir sem falar nada com ninguém. Só no outro dia contou o episódio ocorrido na noite anterior.

* * * * *

A SURPRESA

Domingo de manhã ao acordar, podem-se ouvir os latidos dos cães a uma distância muito perto da casa. Os moradores jamais poderiam imaginar que aquele movimento fosse uma caçada de onça.
Saulo, ao ouvir os comentários do que estava realmente acontecendo, rapidamente pegou sua espingarda cartucheira e saiu correndo naquela direção a fim de satisfazer sua curiosidade, isto é, presenciar aquele ato que jamais poderia imaginar, em ver um dia na sua vida, com seus próprios olhos.
Ao longe, perto de um colchete, ainda dentro do pasto Saulo avistou Jeremias, o suposto caçador. Aproximando-se dele desejou-lhe um bom dia. Jeremias respondeu ao cumprimento do amigo.
–O que está acontecendo? Ouvi o toque dos cães e também o comentário de que eles estão na captura de uma onça, isto é verdade ou brincadeira?
–É verdade, Saulo. Encontrei ontem o lugar em que ela pegou acredito ser uma cotia, pelo menos os cabelos do animal vítima parece ser. Hoje de manhã procurei e encontrei o rasto da gata, soltei os cachorros e já está acuando ali encima no matinho, agora vou lá ver se é realmente a bichana que suponho ser.
–Posso ir com você? Perguntou Saulo.
–Se você tiver coragem pode ir comigo. Vamos?
–Claro que tenho. Com muito prazer aceito seu convite. Quero ver de perto, nunca vi.
Os dois amigos entraram na matinha procurando os lugares mais limpos, evitando as moitas de cipoadas e espinheiros, guiados pelos latidos dos cães. Não demorou muito chegaram até próximo de onde o felino estava: subida no galho de uma árvore com apenas uns cinco metros de altura. Com a aproximação excessiva de Jeremias à procura de melhor posição para fazer um tiro seguro, a onça, descontente com a presença dos dois homens, saltou. Bonito salto, imaginou Saulo. Chegou ao chão e correu desesperada com os cães ao seu encalço. Não demorou muito toda aquela carreira terminou no galho de outra arvore mais alta. Chegando perto do lugar em que ela estava os caçadores puderam vê-la no galho de um jatobá. A distância estava boa, o titular da caçada resolveu terminar o serviço dali mesmo. Mirou com capricho no peito do animal e... fogo. No desfecho do tiro o salto foi mais bonito que o anterior, pois ela estava em local ainda mais alto. Ao alcançar o solo começou a correr fazendo um semicírculo para a direita. Só então perceberam os caçadores a presença de um terceiro homem, Jacó, em cuja direção corria o felino.
Por sua sorte a fera estava à beira da morte e foi golpeada por um cipó que a derrubou de costas. Os cães fizeram a festa e Jacó se livrou.
Transportada para o terreiro da casa e colocada no chão, Henrique filho de Saulo, com apenas quatro anos de idade, veio correndo e montou encima da onça querendo mordê-la, foi preciso sua mãe tirá-lo dali.
Para concluir o serviço, tiraram o couro com capricho, e secaram para guardar de recordação.

Biografia

Dauro Guimarães

Membro da Alesg-Academia de Letras do Extremo Sudoeste de Goiás e do IHGES-Instituto Histórico e Geográfico do Extremo Sudoeste de Goiás. Integra as antologias \'O que os homens estão escrevendo\' da Litteris Editora, do Rio de Janeiro, e \'Revelações do Terceiro Milênio\', do concurso nacional de literatura promovido pelo Conselho Municipal de Cultura de Cassu, em 2005/6, e 2008, respectivamente, recebendo, ao todo, três premiações em conto, sendo 2° lugar no concurso de 2005/6 e um 1°, um 3° lugares, no de 2008. Tem inédito o romance \'Perdido na selva\' e um livro de contos, ainda sem título definitivo. Integrante das diretorias do IHGES e da Alesg, no cargo de tesoureiro, desde a fundação das duas entidades. Telefone: 064-3656-1290
Cassu-GO.
E-mail: -


daurodivino@hotmail.com

 

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