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Luiz Lemme
Nacionalidad:
Brasil
E-mail:
Biografia

velório do homem

O arame farpado
envolve
uma vela branca
no país do homem negro.
E meus olhos não crêem
na morte vista assim
tão rude
na tela dos homens presos
da África do Sul.
Mais uma vez imaginei
que era um bicho,
desses que se mata pra comer,
e me senti tão pobre,
tão danado,
que se me fiz um negro,
do sul da terra negra,
espancado pelo poder
dos diamantes cristalinos.
Mas eu vi que ardia uma vela,
branca,
enfarpelada,
e que centenas de homens
cantavam
a congada.
E eis que a dor dos cortes
e dos chicotes
que sacrificam animais
não decompõem a dignidade
do homem negro.
E de dentro da lama
por baixo da sangueira
a mão fechada e enérgica
rege o hino bantú
ao homem Mandela negro
e à sua África mulher.


a última praia

Me cura dessa doença, morena,
me tira dessa privada.
Isso é água ou vão de mijo?
Nunca te vi deste jeito, meu mar,
nesse fedor de bueiro,
será o meu olho mais vesgo?
Ou jogaram coisas n’ água
pra fundação de um hotel?
Ali, no lado do canto em dunas
entre as moitas da erva-vidro
e as ancas de Mariana,
o baticum bate-estacas
os peões batem-que-batem
no lombo da nossa praia.
Vem peste negra e petróleo,
vem caravana e turista,
a fumaceira e o linóleo,
o charlatão e o punguista.
A eroína e a maconha,
o chocolate sintético,
o katchup e a peçonha,
o macarrão dietético,
o avião supersônico
o guaraná diurético
e um carnaval eletrônico.
E tem mais, diz padre Osório,
sendo então hotel moderno
traz de banda
um lixo atômico.
E tu, prainha,
danou-se!
Como se danaram os rios,
como morreram as brisas
e as sardinhas prateadas,
como se perderam os sonhos
das meninas defloradas.
De cima de um espigão
na janela de alumínio
mister Sheraton B. Junior
financia
o extermínio.


moqueca de cama

Êta doideira danada!
Mulher dura e peixe mole,
cheirando a salsa ensopada
finge que lambe e me engole,
coentro e cebola picada
em postas de rocambole.
Êta doideira danada!
Que eu não sei se comi tudo
pirão d’água e pimentada
ou se fui todo comido
pela garganta encarnada.
Êta doideira danada!
Que não sei quem estava em cima
se eu camarão retorcido
ou ela pescada-menina.
Sei que depois de acabado
mergulhei na pasmaceira,
eu por baixo ela de lado
e as pernas na cabeceira.
Sobraram nacos de medo
num travessão encardido
que revelaram segredos
de um só coito interrompido.

Sei que voltei outro tanto.
Sei que não quis outra vida.
Sempre um escravo do encanto
dos temperos da comida.


dúvida dívida

Lâmina doce
fio de aço inexorável
que corta
fundo
o silêncio de teu medo.
Vigorosamente plantada
no miolo da tua tripa
uma dúvida intrigante
pede
pergunta
argumenta.
Se Deuz juiz é presente,
se a natureza é Sua filha,
que diabo de anedota
tem o pastor que contar?
Pancadaria em Pretória,
carnificina em Marrocos,
patifaria à inglesa
no coração da Irlanda
e canta a porrada
na Espanha.
Desce o cacete no Chile,
big-stick americano
massacrando a Nicarágua,
chove bosta no Haiti,
chove canivete em Cuba,
em Manilha um terremoto
desancou o mandarim.
Ora droga e o equilíbrio?
Onde os pesos da balança
do direito universal?

Se existe Deus nesta terra,
se o magistrado é supremo,
porque me venderam leite
num saquinho englostorado

e por dentro da embalagem

Biografia
Luiz Lemme
poeta, pintor e técnico da área nuclear, é gaúcho, radicado em Niterói há cerca de 40 anos, onde gerencia um projeto sócio-cultural de educação artística para crianças e jovens da região.

Nos anos 70, militando na política estudantil no Rio, produziu desenhos, poemas pinturas e contos engajados, tendo participado de concursos que lhe valeram os prêmios de Melhor Produção Plástica do Instituto Poliartístico André Maurois, RJ/1975, e as primeiras colocações em Concursos de Poesias e de Contos promovidos pela Associação Brasileira de Imprensa, ABI, Rio de Janeiro/1977/1979.

Nas artes plásticas, realizou exposições individuais e coletivas, entre estas as mostras temáticas do Centro Cultural da AABB Niterói , entre 1977 e 1979 e a série itinerante de exposições do Grupo Realidade de Artes em bairros periféricos do Grande Rio. Em 2000 iniciou a produção de um conjunto de painéis de grande porte, com figuras em relevo, assamblages de madeira e resina, tendo formado um acervo de “poemas pintados” que constituíram um novo gênero de expressão artística.

Nas artes literárias, possui os seguintes registros:
. em 1985: obteve a 1ª colocação no Concurso de Poesias Cora Coralina, promovido pelo Ministério de Minas e Energia, no Rio de Janeiro, com o poema “No dia em que a censura acabou”.
. em 1986: publicou livro de poesias, pela Editora Marcelo Gráfica, título “Poemas de Pão e Paz”, 140 pags. , distribuição Instituto ICFGA.
. em 1994: obteve a 1ª colocação no Concurso de Contos, promovido pelo Centro Cultural da AABB, Niterói, conto “Rosa e Tulipa”.
. em 1996: publicou livro de contos, pela Editora Marcelo Gráfica, título “Conta Mais”, 160 pags., distribuição Instituto ICFGA.

Luiz Lemme é atualmente Diretor do Instituto Cultural Esquina da Arte que desenvolve um amplo projeto de ensino e formação cultural – especializado em artes plásticas – abrangendo cerca de 150 crianças e jovens dos bairros e comunidades da Enseada de Niterói.


luizlemme@uol.com.br

 

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