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Meyre Carvalho Mey-Mey
Nacionalidad:
Brasil
E-mail:
Biografia
Cabra-da-peste

Larguei meu Centro-Oeste, as Gerais e o Nordeste
O s sibilado, o uai e bons repentes
Deixei as ruas largas, de andar de trem e de montar em jegue
Larguei o milho, a garapa com pastel e a paoca
O sacol, a rapadura, o bule de caf
Rompi com o carreteiro, o baio e o feijo tropeiro
Deslambi o frango, o porco e o calango primo-primeiro
No levei minha matula, nem as cascas de laranja secas
Para ajudar na digesto
No esqueci do co sem ala e sem linhagem
E razo tambm dessa verso
Mas trouxe mesmo a peixeira, um ruge de cor faceira
E cheiro de colnia para a comunho
Sem esquecer do passaporte das rendeiras
bem agarrados bainha das minhas calas
que pra no ato de encontrar cabra-da-peste
vou na hora mostrar, seja no fio da minha faca
ou no cabo suado da minha enxada
Que sou mulher no Sul, no Nordeste e no Centro-Oeste
E no vou ser menos no Sudeste!

Sobre ele, Meyre diz:
Em Cabra-da-Peste fui iluminada. Saiu como se tivesse cuspido o fogo e a fora da mulher nordestina
Principalmente quando se nasce e se cria em Braslia, cidade que acolheu um novo Brasil.
Seus livros:
Desabafo, aos 17 anos.
Flor Roxa, aos 21 anos ilustrado por Marcelo Marques e,
aos 24, Janelas, Nem to Secretas Assim, com ilustrao da artista plstica, fotgrafa e poetisa carioca ngela Regina.
O autor da apresentao da escritora, o escritor e membro da Academia Goiana de Letras, Brasigis Felcio, e de Igncio de Loyola Brando, que faz um comentrio especial sobre Mey. Para Brasigis, h que se ler Meyre como ela de verdade, que escreve sem se preocupar com regras, nem movida pela superao da angstia do ineditismo, e que no est para a poesia como quem busca livrar-se de conflitos e angstias do psiquismo.
Tem linguagem e ambio de aprofundar-se nos mistrios da expresso potica, e no lhe falta sensibilidade, paixo e zelo nessa sua jornada de Ssifo.
A leitura atenta fez-me ver que no v e nem superficial a sua fala.
Nem perca tempo o 'leitor-borboleta [superficial]. Que outros sintam, como senti, a tessitura das suas emoes, e a doao [sangrando] de sua humana e viva palavra, derrete-se o escritor e poeta goiano..
J o escritor Igncio de Loyola Brando, citou sua percepo sobre a autora:
-O que me tocou que h pouca literatura sobre e de Braslia. Da o meu interesse pelos cantos de Meyre Carvalho cidade.
Uma srie de poemas amorosos, quase erticos, bastante sensuais e que me emocionaram.
Cito alguns: Intenes, Difundir, Quando eu for Planta, O que Flui, Trechos, Dona, Padecer, Cederia, requinte, Partir, Na Medida, Lances de Escada e Primeiro e Definitivo Aroma, Pena... faltou tinta tua pena, Taquicardia.

Faltou tinta tua pena

Sua aridez arde
No feitio das tintas
Reservas sensatez das tardes
Abandonadas

E a este silncio...
Mantenho inclume
Com palavras faltosas

Ah!Esse amor expiador

No te mando mais
Flores de amor
Nem versos multicores
Muito menos beijos desiguais

Todas as promessas do improviso
Cumpri-as todas de tintas marcadas
Em pergaminhos eternizados
Todas que te fiz e profetizo

Quanto s tuas...
Pena...pena...
Faltou tinta tua pena...

Primeiro e Definitivo Aroma
Despi-me das vergonhas
como quem despe um feto.
Deitei-me cheia de mel
e gozei numa exploso de afeto.

Fui mulher,
Fui vil e degradante,
Por isso nos tornamos amantes.

Fui tambm a mais servil
das tuas mulheres
Quando te dei
o meu beijo mais gentil.

Te alcancei no desejo
mais ntimo e bizarro.
Dele me armei
e te fiz escravo.

Fui a mulher mais doce
e sensual,
E, como um perfume,
te amei sem igual

Hoje eu te amo
Como quem se asseia
do primeiro
e definitivo aroma...


BIOGRAFIA
MEYRE CARVALHO_ MEY MEY


Poetisa, jornalista e empresria de turismo nutico e marinheira em Armao dos Bzios, acaba imprimindo no marketing da empresa, sua verve potica.
Meyre Carvalho Mey Mey, nasceu em 17/01/63, em uma promessa de cidade e de futuro promissor chamada Braslia. Faz parte da primeira gerao da mais nova capital do pas. Filha de numerosa famlia nordestina que chegou cidade para ajudar a constru-la.
Em 1982, estudou Civilizao Francesa na Universidade Sorbonne e, paralelamente, escultura com modelos vivos na Escola Henry IV, em Paris. Mas a poesia falou sempre mais alto.
Escreve desde os 11 anos, espaada ou fervorosamente impulsionada pela msica e Monteiro Lobato.
Adorava bibliotecas pblicas. Foi a tambm que escolheu a profisso de jornalista.
Com o mesmo poema, foi duas vezes premiada este ano: Prmio Carlos Drummond de Andrade 2007 SESC DF e Poesiarte da Regio dos Lagos/Jornal O Popular da Regio dos Lagos realizado pelo professor e poeta Rodrigo Poeta.

meyrocacm@gmail.com

 

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