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Jorge de Azevedo
Nacionalidad:
Brasil
E-mail:
Biografia
Orgasmo voraz e intenso

Ontem noite flagrei voc
me abraando em outro corpo,
eu era o seu amor amante,
mas era outra, a boca que lhe beijava
e enquanto voc arfava, ele se iludia
pensando que era ele o motivo
do seu orgasmo voraz e to intenso.

Hoje quando lhe telefonei flagrei voc
falando comigo como se fosse ontem,
sua voz cantava felicidade ardente
como se fosse eu o seu amante
e enquanto eu escutava algum cantar
bem distante 'fica comigo esta noite',
voc revivia o orgasmo voraz e intenso.

Ontem noite voc esteve comigo
mesmo estando em outro corpo.
No viu os meus olhos, nem beijou-me a nuca,
no alisei o seu ventre e nem as coxas,
mas voc sentiu-me dentro dos seus sonhos
mesmo sendo em outro corpo
que despejava seu orgasmo voraz e to intenso.

Natal, 28 junho 2005

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Imagens sociais

Estava na negra lama,
eu vi,
to negra quanto ela,
agachada,
os dois a correr:
O guaiamu da mooila
ou a mooila do guaiamu?

Mos negras de cor e lama,
[tanta lama havia nos cabelos
encarapinhados...
mesmo com a fora do vento
no esvoaavam contra o rosto].

Eu no sei se era o caranguejo
correndo atrs do dedo viciado
ou se o dedo j ferido de tanto
ferir caranguejos,
fugia buscando abrigo,
onde no existia costado.

Somente eram brancos, os dentes
e a mancha avermelhada, nos olhos,
talvez rubro, como o caranguejo
estrebuchando na panela preta,
para o jantar, quando o sol
ainda faz-se to vivo.

Quem estava mais negra
naquele instante, no sei,
se a lama do mangue
ou se a menina na lama.

Quem mais parecia animal,
daquele jeito, no sei,
o guaiamu fugindo da menina
ou a menina pegando o guaiamu.

Recife, 04 setembro 1996

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Ah! se existisse vida em Biafra!...

Est chovendo, venham ver, meninos de Biafra,
venham ver a gua caindo do cu e molhando
a poeira ressecada, no cho pisado de tanto vero.

O gado, se ainda existisse gado, estaria correndo
pelo pasto sem pasto, e os patos no lago,
se ainda existissem patos, nadariam em crculos.

Peixes aos borbotes, em anzis ansiosos
encheriam um cesto cheio de fome,
vazio de esperana.

Mas, j no tem peixe em Biafra,
j no tem po em Biafra
e nem fome existe mais em Biafra...
a vida deixou de existir,
o sopro de esperana sucumbiu, faz anos,
com as crianas barrigudas, depois da fome.

Os homens seguiram para outras naes
e suas mulheres ficaram para enterrar
os velhos, as crianas e outras mulheres;
est chovendo, venham ver, meninos de Biafra,
venham ver a gua fazendo o rio transbordar
lavando o deserto vermelho de p e sangue.

O frio, se algum c estivesse para sentir frio,
corta os ares como navalha, sacudindo portas
e quebrando janelas, h muito, j quebradas
pelas telhas atiradas pelo vendaval crepuscular
nas tardes quentes, do eterno vero, em Biafra.

Aracaju, 09 maio 1991

biografia:
Jorge de Azevedo

Nasci no oitavo dia de agosto num bairro pobre de Salvador/BA, terra de tantos deuses e tantos santos. Cresci entre cidades - Candeias e Salvador - na esperana de encontrar comigo em qualquer esquina. Mudei para o Rio quando os primeiros fios de barba pintaram meu rosto, onde concluir os estudos e fiz-me militar do Exrcito por seis anos. Casei e descasei no sei quantas vezes. Tenho dois filhos, um casal pouco visto, pouco abraado. Arquiteto sou de todas as formas. Pois formo palavras e poemas com a mesma facilidade que projeto moradas cores, mas sou poeta de corao e de alma.

sonhosdepoeta@yahoo.com.br

 

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