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Rosa Ramos Regis da Silva
Nacionalidad:
Brasil
E-mail:
Biografia
CORDIS para 'O T R O V A D O R E S C O'

CORDIS ENVIADOS A ADEMAR MACEDO
[Poeata integrante da ACADEMIA DE TROVAS NORTERIOGRANDENSE - ATRN]

A UM PEDIDO DE AMIGO

A um pedido de amigo
No se pode dizer no.
E, assim, de corao,
Com emoo eu te digo:
- No sei mesmo se consigo
Porm vou tentar fazer
O que me pedes. Vou ver
Se minha cuca ainda bola,
Se sai algo da cachola
Para, a ti, satisfazer.

Falei com 'Tico' e com 'Tco',
Pedi para se unirem.
Disse: - Meninos, se virem!
Seno eu vou ter um treco
E dou-lhes um peteleco!
Rebusquem esse coco louco,
E tragam tona um pouco
De idias engajadas
Que formem frases rimadas,
Pois j estou ficando rouco.

Os dois no contaram estrias!
Comearam a rebuscar.
E correndo sem parar,
Reviraram-me as memrias
Que, assim, sem escapatrias,
Comeam, ento, a fluir,
Fazendo, pois, ressurgir
Alguns pontos esquecidos
Que haviam sido banidos.
Porm, no sem reagir.

E Tco disse p'ra Tico:
- Vam'embora, camarada!
- Vam'emfrentar a parada!
- Ou ento, um siricutico
Nossa dona tem. E fico
Pensando na confuso
Que isso vai dar. Ento
Os dois partiram p'ra luta.
E foi tremenda a labuta!
Saram da inanio.

Dessa forma, a cuca minha
A funcionar, voltou.
E agora, tentar, eu vou
Engendrar uma riminha
Buscando, l... na terrinha,
As lembranas que enobrecem
O meu ser e que aquecem
O meu pobre corao
Choramingo e babo.
Meus compatrcios merecem.

Adentro Terra querida:
Jerimum, que me gerou,
Com filha de adotou
E fez-me enriquecida
Com a experincia tida
Em uma infncia feliz
Que no careceu verniz
Pois era cheia d'um amor
Puro, onde at a dor
Detinha outro matiz.

E a vejo Natal,
Que foi quem me acolheu,
Com amor me recebeu
De forma bem natural.
E foi onde um cara legal,
Como tu, eu encontrei
E amizade travei
Atravs da Internet.
E, agora, a mim compete
Mostrar o pouco que sei.

...
. No Jerimum eu nasci.
No Estado da Paraba.
Vai abaixo e vai arriba,
Logo de l eu parti.
E em Natal eu me vi,
Depois de idas e vindas,
Cidade de praias lindas
Por quem me apaixonei
E com a qual me casei
E vivi cenas infindas.

...
Como complemento, mando,
Nesta minha enrolao,
A ti, Ademar, ento,
Algo que estava bolando,
E, no Orkut, postando.
O que fao dia a dia.
Pois rimar traz-me alegria
E, mesmo sem saber, tento.
ISSO S UM COMPLEMENTO
DA MINHA BIOGRAFIA

...

ISSO S UM COMPLEMENTO
DA MINHA BIOGRAFIA


J trabalhei de coveiro
J vendi cachaa mole
A mim no h quem enrole
No me meto em atoleiro
De fazenda, fui vaqueiro
E trabalhei em estrebaria
Num tal lugar Travessia,
Fui embalador de vento.
Isso s um complemento
Da minha biografia!

Na vida eu j fiz de tudo!
J trabalhei em bordel
J vendi sarapatel,
Pastel, coxinha, canudo
Fui 'co' em noite de entrudo
Vendi cururu por gia
Jerimum, por melancia
E, por burro mulo, jumento.
Isso s um complemento
Da minha biografia!

Ainda mais: sou Bacharel,
Formada em Economia
E tambm em Filosofia.
E tenho mais um anel:
De licenciada em cordel
Que ganhei por primazia
Dos versinhos que fazia.
assim que vida enfrento.
Isso s um complemento
Da minha biografia!

Natal/RN - 03 de fevereiro de 2007

A VINGANA DE NESSO
[Mitologia Grega em cordel]
Por: Rosa Regis

NESSO e o falso filtro do amor

O rio Eveno est sujo:
Em si boiam animais
Afogados, plantas mortas,
Representando sinais
De que ele ser palco
De tragdias colossais.

Pois Nesso, o centauro feio
Que em suas margens mora,
Meio homem e meio cavalo,
De alma humana, que deflora
Com violncia as mulheres,
Apaixona-se agora.

Transportando os viajantes
De uma margem a outra do rio
Sem que ningum lhe agradea
Devido ao seu ar sombrio,
Nesse dia, Dejanira
Provocou-lhe um desvario.

E com o amor furioso
Que lhe peculiar,
Violentamente ele tenta
Com Dejanira transar.
Esta grita. E surge Hrcules
Que a ouve. E a vem salvar.

E pegando, rapidamente,
Seu arco e firmando a seta,
Com um disparo certeiro,
No peito de Nesso acerta.
Porm este, antes do fim,
O seu veneno ainda injeta.

Moribundo, a amada pede,
Com o seu ar fingidor,
Para recolher seu sangue
Que diz: o filtro do amor,
Um ungento que traz de volta
O marido traidor.

Basta que quem o possua
Use-o da forma a seguir:
Unte o corpo do marido
Quando este, um dia, trair.
E Dejanira acredita.
Mas ele est a mentir.

E, embebido num retalho,
Dejanira traz consigo
O sangue do moribundo
Que imagina, agora, amigo.
Sem saber que est retendo
A vingana do inimigo.

Hrcules, escravizado bela nfale

O rei de Eclia, seu mestre
Que o ensinou a usar,
Na infncia, o arco, agora
O est a acusar
De ladro de gado. E Hrcules
Foge para o no matar.

Contudo, fito, o filho
Do Soberano, ir
Em busca do heri. E este,
Dele, no se livrar.
Na luta, o enfrenta e o mata.
E o seu crime expiar.

Para a Corte de Cece,
Na Traquine, levar
Sua amada Dejanira.
E, a, chegando l,
Pede ajuda a Ptanisa
Mas ela lhe negar.

Pois ele sabe, em verdade,
O que o deus tem em mente,
E poder alcanar
O seu perdo. Ele o sente.
Entretanto, a Ptonisa
Nega veementemente.

Dever o heri, assim,
Com sua culpa ficar.
E pelo resto da vida,
Como uma carga, carregar
O pesado fardo que Juno
Lhe deu, para o seu azar.

Irritado, e possudo
Pela loucura que lhe envia
Juno, a esposa de Zeus,
Que o atormenta dia a dia,
Hrcules quebra o santurio
E a Ptonisa surrupia.

E a, Apolo, zeloso
Com sua Sacerdotisa,
Fica raivoso, assistindo
A tudo, Terra desliza,
Atracando-se com o mortal
E dando-lhe terrvel pisa.

Porm, do alto do Olimpo
O grande Jpiter, tambm,
V o combate, e se lana
Da sua morada, e vem
Para o meio dos mortais,
Diante de Si, ningum.

E, com sua autoridade,
Ordena a separao:
Fazendo-os desculparem-se
E apertarem-se as mos.
E faz que Apolo mostre a
Via da purificao.

Ser vendido como escravo!
A sentena que caber
A Hrcules que, por trs anos,
Como escravo ficar
E o dinheiro da venda
Para o rei da Eclia ir.

E o filho de Jpiter, agora,
Propriedade vai ser
Da rainha nfale, que o leva
Consigo, e que ir fazer
Da sua vida um inferno
Que s vendo para crer.

Ela o humilha de forma
Que o faz sentir-se um nada,
Com a escravido penetrando
Na sua alma humilhada
Como se fora um mal
Ao qual fora condenada.

Leva-o a trabalhar a terra
E aos rebanhos pastorear.
Aos inimigos de nfale,
Como seus, combater.
E, vestido, de mulher,
A roca ir manejar.

E ainda, o que pior,
O deus ainda far
Que ele ame a sua dona
Numa paixo que ser
Feita de nsia e fraqueza.
O que mais o humilhar.

Mas os trs anos se vo.
E a cativez finada.
No entanto, a liberdade
Com tanta nsia esperada,
Di, quando ele se despede
De nfale, sua dona/amada.

Com a vingana em mente,
Em seguida partir.
E numa guerra sangrenta
A Euclia sitiar,
E invade o palcio do rei
urito, ao qual matar.

E no s o rei ele mata,
Mas todos seus descendentes.
E apossa-se da viva
Do inimigo. E, assim, sente
Que, enfim, est vingado.
E isto o deixa contente.

Hrcules morre. Juno perdoa.

Entre prantos e lamentos
Na corte de Cece, agora,
Dejanira aguarda Hrcules
Lamentando-lhe a demora.
E se perguntando o porqu
Disso, outra vez ela chora.

-Se o seu tempo de cativo
Sob nfale j passou,
E a vingana contra urito
Tambm j se consumou!
-Porque Hrcules no regressa?
-Talvez tenha um novo amor!

Dejanira sobressalta-se
Com o corao apertado
Pela dvida que cresce
De que Hrcules, seu amado,
Tenha novo amor e, por isso,
Ainda no tenha voltado.

E, possuda de medo
De perd-lo, vai procurar
Licas, que o acompanhava
Em todo e qualquer lugar,
E, interrogando-o, obriga-o
A verdade revelar.

E, obrigado, ele diz
Tudo que ela perguntou:
-Hrcules uniu-se ole,
Agora, o seu novo amor.
Vivendo feliz com ela.
E por isso que no voltou.

De incio, Dejanira
Ao seu sofrer se entregou.
Depois, lembra que o Centauro,
Nesso, ao morrer lhe deixou
Seu sangue em um pano, e disse
Ser um filtro do amor.

E chega a oportunidade
Que ela tanto esperou
Com uma mensagem que Hrcules,
Por algum, lhe enviou:
Queria que lhe mandasse
Uma veste nova. A mandou.

A veste que Hrcules pedia
Era para ele usar
Na consagrao a Jpiter
De um grande e belo altar.
E nela Dejanira iria
O filtro do amor usar.

Na tnica nova, a esposa
De Hrcules, pois, esfregou
A mgica poro que Nesso,
Ao morrer, lhe ofertou.
E ao marido distante,
O traje ela mandou.

E agora o que lhe resta
to somente esperar
Que ele retorne correndo,
Vibrando de amor pra dar.
E ela tem toda a certeza,
Isso no vai demorar.

Enquanto isso, o marido,
Que de nada desconfia,
Recebe a tnica, vestindo-a,
Pois logo iniciaria
A cerimnia do altar
Que a Jpiter se oferecia.

o comeo do fim.
Pois o pano umedecido
Com o veneno de Nesso,
Ao corpo fica aderido,
Penetrando-lhe pele
E deixando-o enlouquecido.

No era o filtro do amor
Que o centauro vingativo
Entregara a Dejanira,
Era o seu dio ativo.
A morte que Nesso, morto,
Presenteia a Hrcules, vivo.

E Hrcules, enlouquecido
De dor, tenta arrancar
De si a roupa maldita,
No entanto, ao rasgar
O tecido em si aderido,
Sua pele rasgar.

E a carne despedaa-se
Com a roupa envenenada.
Suas entranhas, em fogo,
Esto sendo devoradas.
No existe salvao.
Sua vida est acabada.

presena de Dejanira,
Aos gritos, o heri levado.
Mas no era assim que sonhara
Receber o esposo amado
Que, ardendo, se lhe apresenta
Totalmente transtornado.

E o sofrimento de Hrcules
To fortemente feriu
Dejanira que, no podendo
Ver o seu sofrer, decidiu
Suicidar-se. E, ali mesmo
Aos seus ps ela caiu.

E no fogo, lentamente,
Hrcules agoniza, na dor.
Mas, usando a lucidez
Que num momento aflorou
sua mente, ele, ao filho
Hilo, pede um ltimo favor.

Suplica que este espose
ole, deixando-a amparada
Pelo resto de sua vida.
Protegendo, pois, a amada,
J que ele no poder,
Por ela, fazer mais nada.

Depois pede que algum
Lhe acenda uma fogueira
Para que possa expressar
Sua hora derradeira,
Acabando o fogo invisvel.
A horrvel queimadeira.

Mas ningum quer atender
Seu pedido, quase prece,
Porm, enfim, seu amigo
Filocfetes, compadece[-se]:
Acende a pira, onde Hrcules
Se joga e, assim, fenece.

Ante os olhos perplexos
Da multido assustada,
Hrcules joga-se nas chamas.
E a, uma trovoada
Enche o espao. E o heri
Morre sem falar mais nada.

Do fogo, ele sobe ao Cu

Fim

CASA DE TAIPA

Por Rosa R. Regis
Natal/RN - Brasil, Julho de 2006
[Corrigida em 18/04/2007]


Num 'retorno' minha infncia,
Lembro o quanto fui feliz
Naquela casa de taipa
Meu corao quem diz.
E com o peito em festa,
Esta homenagem lhe fiz.

Na chegada um cajueiro
Curvo, cobrindo a estrada;
Uma palmeira frondosa
E uma aucena espalhada
Cheia de flores que deixam
A estrada perfumada.

Na entrada um terreiro limpo
E enfeitado de flores
Em toda a sua extenso:
Flores de todas as cores!
E plantas medicinais
Para dores... suadores...

Dos lados, e l atrs,
H uma variao
De rvores frutferas que
Vai da jaca ao mamo,
Onde os cajus e as mangas
Viram lama pelo cho.

Laranja-lima; da-terra;
Da-baa; ara;
Goiaba; cana-caiana;
Sapoti; maracuj:
Algumas das vrias frutas
Que lembro que havia l.

Mas falo da casa em si!
De como era construda;
O material usado;
Como era dividida.
Dos mveis utilizados.
Da dormida e da comida.

A casa tem duas guas
Como todas as demais
O tipo 'casa comum',
Que, ali, so todas iguais.
No pequeno Jerimum,
Lugar dos meus ancestrais.

Na entrada, o 'anti-cristo'!
Como minha me chamava.
Preto, comprido, com quatro
Pernas, que o descanso dava
Ao viajante cansado
Que na estrada passava.

Sendo protegido por
Uma pequena latada
Feita de palhas de coco,
Do prprio stio tirada,
Formando um alpendre simples
Naquela simples morada.

Uma porta e uma janela,
Que de tbua de caixo
De sabo so engendradas,
Completam a feia viso
Frontal do pobre casebre
Que o lembrar traz emoo.

Outra janela na sala,
Do lado do sol nascente,
Deixando a sala arejada
Mesmo em dia de sol quente,
E um mnimo de conforto
Dando quele pobre gente.

Porta dividida ao meio,
Trancada com taramela,
D entrada sala onde
Ainda um coto de vela
V-se no fundo da xcara.
Do lado, uma rosa amarela.

Vrias estampas de santos:
O Corao de Maria;
O Corao de Jesus;
So Bento, Santa Luzia;
A Santa Rosa de Lima;
Nossa Senhora da Guia.

So Joo Batista-menino
Com um carneirinho do lado,
Nossa Senhora das Dores,
So Jos com seu cajado
E o Menino Jesus
No seu brao bem sentado.

Todos em quadros suspensos
Na parede, e enfeitados
Com laos de vrias cores,
Que lhes foram ofertados
Em pagamento s promessas
Feitas, com fins alcanados.

Uma banca de trs pernas,
Sempre de croch forrada,
Tendo sobre si um frasco
Com uma flor que foi tirada
Ali mesmo no quintal
Onde foi mui bem cuidada.

Num canto uma velha mesa
Nua, j enegrecida
Pela idade, e trs bancos
Que, na hora de servida
A refeio, no comportam
Todos da forma devida.

E alguns sentam no cho:
Com certeza, a crianada!
J que aos mais velhos sempre
A preferncia dada.
Mas a turma no reclama.
J est acostumada.

Um joelho de madeira
Sai da parede, formando
Um armador de primeira!
Com outro se defrontando,
Onde h sempre uma rede
Com algum se balanando.

Da sala para a cozinha
H um corredor escuro
Que passa na camarinha,
Ou quanto, onde, eu juro!
Sem um candeeiro aceso,
No se v nada. No duro!

Na camarinha, uma cama
De talisca com colcho
Duro, de junco, comprado
Ali perto, no Groto.
E do lado da cama: um cepo,
Bacia d'gua e sabo.

Tem ainda um candeeiro
A querosene, luzindo.
Fumo de rolo, tabaco,
E um penico, tinindo
De limpo, para o xixi
De quem ali t dormindo.

Um velho ba num canto,
Com roupas especiais:
O vestido novo da moa
Da casa e, dos demais,
Uma roupa de sair
Pois no podem comprar mais.

Uma corda na parede,
Que mesmo um aparato,
Onde penduram-se as roupas
Servidas, meias, sapato,
Redes, lenis e, por vezes,
At os panos-de-prato.

Um carit, no cantinho
Da parede, pra botar,
De dia, o candeeiro
Que no vai se precisar
Durante o dia, e o fumo
Que ainda est por cortar.

No final do corredor
A dispensa e a cozinha.
Na dispensa, uma saca
Quase cheia de farinha
E uma lata de feijo
P'ro plantio que se avizinha.

Na parede da dispensa
H mais um outro joelho
De madeira, pra botar
Cordas, cangalha, aparelho
De barbear, um pincel
Para a espuma e um espelho.

A cozinha dividida
Em duas partes, que so:
Uma pequena saleta
Com janela para o oito,
Um pote a um canto com gua
Pra tomar, e um lava-mo.

Uma mesa ladeada,
No comprimento, por bancos
De madeira bem compridos
Que parece serem mancos
Por causa do piso bruto
Feito aos trancos e barrancos.

Na cabeceira, um banquinho,
De tamborete chamado.
E quando junta mais gente
Fazem acento improvisado:
Tronco de coqueiro e,
Tambm, um pilo deitado.

Pois costume no stio
O povo se reunir,
Vez por outra, em uma casa
Para conversar e rir:
Botando a fofoca em dia
Para, assim, laos unir.

Mas, cheguemos cozinha,
Na Segunda parte, ento,
Onde se v, l no canto,
Uma espcie de fogo
Que uma mesa de barro
Com ps fincados no cho.

Para explicar o feitio
Dos foges, vamos dizer
Do que qu'eles so feitos
E a forma de os fazer.
E assim sendo, l vai!
Eu os tentarei descrever.

No fabrico do foges
O que se utilizava
Era quatro ou seis forquilhas
Que do mato se tirava,
L na 'Mata do Chocalho'!
Pertinho d'onde eu morava.

Faziam-se umas grades
De varetas amarradas
Com cips, de forma que
Ficassem bem apertadas,
Retangular - oito pernas;
De quatro pernas - quadradas.

E, com barro, se fazia
Uma massa escaldada
Que era aplicada grade
J, de antemo, fixada
forquilha que, tambm,
No cho j estava fincada.

O acabamento rstico,
Apenas feito mo,
Deixava vista desenhos
Naquele rstico fogo
Que fora feito sem tcnica
Mas com carinho e emoo.

E depois do barro seco
Punha-se, pois, na tal mesa
De barro, trs pedras grandes,
Entre as quais, a lenha, acesa,
Cozinharia a comida
Para todos, com certeza.

Com o tempo, o fogo a lenha
Aqui descrito, mudou:
As trempes perderam a vez;
A pedra em barro virou;
Criou-se como se um forno
E ao jirau se anexou.

Uma espcie de casinha
De barro, com abertura
Redonda e, para cima
Jogando toda a quentura
Das chamas sob a panela
Que, em cima, abre a fervura.

Panelas, que tambm so
Feitas de barro. E o sabor
Da comida ali contida,
Eu lhes digo, sim senhor:
Tinha um sabor diferente!
Era feita com amor.

Nem pode-se comparar
Com a de hoje, meu irmo!
Feitas no fogo a gs
E fora de presso
Que, s vezes, para comer,
Deixa-me, pois, sem teso.

Por mais tempero que bote
O sabor diferente
Do daquele tempo em que
Era acrescido, somente,
Ao feijo, umas folhinhas
De coentro e a semente.

Pois a semente do coentro,
Verdinha, e bem amassada,
D ao feijo um sabor
Que... Oh meu!... Pela madrugada!
A gente come purinho!
Sem precisar de mais nada.

Mas, saiamos do fogo
Que est me dando fome!
Vamos para o outro canto
Mostrar... Como mesmo o nome?
Um 'carit' - um cantinho
Onde a aranha u'a mosca come.

o 'carit' que feito
Com pauzinhos enfiados
No cantinho da parede
Onde se v, pendurados,
Um candeeiro, um quengo,
E uns algodes tranados.

Candeeiro - a lamparina
A querosene, usada
No lugar onde a energia
Eltrica no fez chegada,
E que ilumina a raspagem
De mandioca madrugada.

Quengo - a concha, seu moo!
Feita do casco do coco
D'uma banda - uma quenga,
Onde um pau, raspado, um toco,
Atravessa, e faz um cabo.
A herana do caboco.

Trana de algodo: pavio
Que serve para sugar
O querosene de dentro
Do candeeiro - ao passar
Pelo bico - sendo aceso
Para a casa iluminar.

Veja-se o que, na cozinha,
Temos ainda a mostrar:
O jirau de lavar louas
E p-las para secar.
Em cima: cuias com gua
Pra lavar e enxaguar.

No canto, perto da porta,
Um pote numa forquilha
Que p'ra gua de gasto.
E mais um'outra vasilha:
Uma cuia [de cabao],
Com gua fria. maravilha!

Saindo para o quintal,
Ou 'terreiro da cozinha',
V-se um balco de coentro,
Um viveiro de galinha
E um cortio de abelhas
Numa mangueira vizinha.

H ainda uma quantidade
De fruteiras, variada,
Das quais falei no incio.
E ainda uma latada
De maracuj-mochila,
Que tem a pele engelhada.

E, diante das nossas vistas,
Um terreiro 'caprichado'!
Sempre nivelado e limpo,
Melhor que o encomendado!
Como se fora uma moa
Esperando o namorado.

...
assim que, na lembrana,
Guardo, carinhosamente,
A casinha onde vivi
Com os meus, bem consciente
Que minha mais verde infncia
Deu total significncia
vivncia do presente.
-

Rezei aqui o meu lar
Ou a casa onde nasci,
Sei que no posso agradar
A todos com o que escrevi!
Requeiro ao caro leitor
Entretanto, por favor,
Gostando, passe frente!
Isto far minha mente
Servir, sempre, com amor.

biografia:

ROSA RAMOS REGIS DA SILVA
- Paraibana, do Stio Jerimum - Municpio de Jacara-PB, residente em Natal - Capital do Rio Grande do Norte, desde 1966, considerando-se, pois, cidad norteriograndense. Formada em Economia [Bacharelado] e Filosofia [Licenciatura e Bacharelado], pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN. Amante da Poesia de um modo geral, especialmente em Cordel que comeou ao iniciar o seu Curso de Filosofia-Licenciatura, no qual, mais de oitenta por cento dos seus trabalhos foram feitos em cordel, inclusive parte do seu trabalho monogrfico de final de curso e os dois Discursos de Formatura. Participou: da ANTOLOGIA LITERRIA - volume 3 e 4- SPVA/RN, na primeira [de n3], com o poema A DOR DA IMPOTNCIA DE NO SER, na 2 [de n 4], DE NUFRAGO A ESPECTADOR e INFERNO NO 'SERROTO'; da X e XI FESERP - Festival Sertanejo de Poesia, oferecido pela APC - ACAU [Produes Culturais], Aparecida-PB - Prmio Augusto dos Anjos, no X, com o poema UM DEUS NASCIDO DA DOR, sendo classificada em oitavo lugar [com Certificado], o XI, com o poema: O INFERNO NO 'SERROTO' ou FUGA ABORTADA; do XIII e XIV Festival de Poesia, Crnica e Conto de Imperatriz, realizao: IMPERATRIZ - FCI, Imperatriz-AM; este ltimo com os poemas: MAR, NAVEGAO, NAUFRGIO E ESPECTADOR; RECONSTRUINDO O PENSAR; CERTEZA DO BEM; AMOR INFINITO e VISES DA REALIDADE [com Certificado do XIII, at agora]; do I, II e III CONCURSOS DE POESIAS LUS CARLOS GUIMARES, oferecidos pela Fundao Jos Augusto - Natal/RN, em 2001, 2002 E 2003 respectivamente, com 10 trabalhos em cada um, tendo sido homenageada no primeiro; no CONCURSO LITERRIO OTHONIEL MENEZES [poesia], ano 2003, produzido pela Fundao Cultural Capitania das Artes - Natal/RN, com um pretenso livro: ESCAPANDO S REGRAS. Est inscrita para a prxima Antologia da SPVA/RN, com o poema EM TRANSE.
Tem trabalhos editados: no Recanto das Letras, no Poesia Pura e no Orkut.

rosaregis3erres@yahoo.com.br

 

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