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Altay Veloso
Nacionalidad:
Brasil
E-mail:
Biografia

Poesias do Livro Ogundana O Alabê de Jerusalém de Altay Veloso

A Casa de Lázaro


“As mulheres têm esse dom, esse talento. Creio que estão mais próximas, do aperfeiçoamento humano do que nós:

Elas conhecem por dentro o som da voz dos rebentos, São elas que os amamentam, os confortam.
As mulheres não se importam tanto consigo,
Com realização dos filhos é que sentem alegria,
Abortam qualquer sonho que tenham,
Pra sonharem por suas crias,
As mulheres são Marias Cheias de Raça,
O Senhor da Vida é com elas.
Benditas sejam as mulheres,
Que ao fruto em vosso ventre dizem amém.
E vêm a nós com o seu reino e nos faz toda a vontade.
É assim na terra como é no céu,
Santas Marias que as mãos de Deus,
Rogam por nós os pecadores.
E é por elas que Ele nos diz, amém”.

O REENCONTRO

“Nunca mais me permito viver
Nem um instante sequer longe da sua presença.
Minh\'alma pode entender
Mas o meu corpo não quer,
E não há nada que o convença.

Precisa do seu afago, da sua quentura, da sua beleza,
Às vezes, ele se tortura,
Por não ter a envergadura da alma e sua nobreza,
E acaba que os dois ficam tristes.
E aí, nem mesmo a alma resiste à rigidez da saudade.
Eu vi a fragilidade dos dois com a sua ausência,
A cumplicidade que tem, por pouco não os deixa.
Nunca mais eu confio que possa resistir ao frio
Sem o calor de suas mãos.
Nunca mais me permito ouvir
Os lamentos e as queixas do meu coração.\'
E ela chorando me disse:
\'Eu sei que foi a última vez,
Que a vida me permitiu resistência,
E que ela não terá complacência,
Se novamente me vir pôr em risco a felicidade.
Meu amor, foi a ultima vez que desafiei a saudade.”

Ogundana

Não há como unificar os homens,
Nem como agrupá-los numa única fé,
Nem tão pouco porquê.
E é bem mais bonito saber,
Que Deus manifesta-se de muitas formas diferentes,
E de que em nenhum lugar é ausente.
No Egito, os que adoravam Ísis,
Não eram menos felizes que nenhum de nós.
Quando estive em suas terras, rezei também a ela,
Não tenho nenhuma dúvida que a divindade do Nilo,
Veio sempre em meu auxílio quando ouviu a minha voz.
E como eu poderia querer que reverenciassem aqui na Judéia,
A divindade das florestas, se aqui as florestas não existem,
A entidade do rio, se aqui os rios são tão poucos,
Como poderiam acreditar que Iemanjá é rainha do mar,
Se aqui o mar é Mar Morto.

Não, não há como unificar os homens,
Senão, o que seria daqueles que não acreditam
Nas coisas que são intocáveis.
Sou um grande amigo de um desses
E posso dizer com segurança,
Conheço poucos com tanta elegância,
Com tanto senso de ética e tão responsável

Biografia
Altay Veloso

Neto de sanfoneiro, filho de jongueiro capixaba com sacerdotisa de religião de matriz africana, Altay Veloso nascido no Estado do Rio de Janeiro na cidade de São Gonçalo no mesmo endereço onde reside até hoje inicia sua carreira na música aos 17 anos de idade, como guitarrista de conjuntos de baile da sua cidade.

Aos vinte e um anos faz suas primeiras composições e graças a elas é convidado a integrar algumas das bandas de grande prestígio do Rio de Janeiro, entre elas, “O Rancho” de onde saiu vários músicos que hoje integram o elenco que acompanha notáveis intérpretes da MPB e a “Bando do Bando”, que deu origem à notória banda formada por músicos do primeiro escalão “Black Rio”.

Na convivência com esses primorosos instrumentistas, Altay aprimora seu oficio de compor até que, em 1980 participa do MPB Shell e produzido pelo guitarrista e compositor Durval Ferreira, grava pela RCA [hoje BMG] seu primeiro disco autoral, “O cantador”. O segundo e o terceiro disco vêm em 1983 e 1985, respectivamente, pela extinta Polygram, [hoje Universal] em 1987 e 1988, o disco “Sedução” e “Paixão de D’artagnan” pela Warner Continental.

Durante esse tempo tem algumas de suas músicas fazendo parte das trilhas sonoras das novelas da Rede Globo, é convidado por três anos consecutivos a tocar no festival de jazz de Montreal, tendo a honra de contar como integrante de sua banda formada por músicos brasileiros, o saxofonista de jazz mais importante do Canadá, Jean Pierre Zanella.

No ano de 1994 Altay, estrategicamente, devido às imposições do mercado fonográfico, interrompe temporariamente sua carreira de cantor pra se dedicar por tempo integral à sua vitoriosa carreira de compositor.

O gosto pela diversidade de formas, como é seu temperamento, o espírito aberto às mais diversas influências musicais contribuem decisivamente pra que o Altay Veloso possa escrever músicas para conceituados intérpretes da MPB de tendências distintas, entre eles: Elba Ramalho, Daniel, Nana Caymi, Roberto Carlos, Exaltasamba, Zizi Possi, Leonardo, Selma Reis, Jorge Aragão, Wando, Alcione, Fat Family, Elimar Santos Wanderleia, Emilio Santiago, Belo, Alexandre Pires, Christian e Ralph, Netinho de Paula, Fagner, entre tantos outros, num total de mais de 450 músicas.

Em 1998, Altay Veloso monta seu próprio selo e estúdio de gravação e retorna ao cenário artístico como cantor gravando o disco “Nascido em 22 de abril”. Nesse disco com todas as canções dedicadas ao Brasil, Altay Veloso é o único arranjador e instrumentista em todas as músicas.

No ano 2000, sem interromper seu trabalho de composição e com os recursos adquiridos através dele, Altay inicia suas viagens de pesquisa para realizar o sonho ao qual, silenciosamente, se dedica há mais de duas décadas, escrever, em poesia, a saga do africano de Daomé que conheceu Jesus Cristo, Ogundana, O Alabê de Jerusalém.

Investe com paixão nessa sua primeira empreitada no universo da literatura indo a Israel por duas vezes, ao território de Ifé na Nigéria, Angola, Bahia e buscando contatos com líderes religiosos das diversas influências presentes na obra e termina o livro que tem bases no tripé afro-judaico-cristão, onde, baseado num fato histórico, A Vida de Jesus Cristo, Altay mergulha na humanidade de alguns personagens bíblicos e cria outros tantos contemporâneos de Jesus, revelando, pela ótica de um homem africano, o lado mais pessoal e íntimo de cada um, em “Ogundana, O Alabê de Jerusalém”.

Entre 2002 e 2006, ao mesmo tempo em que integra o corpo de jurados do Prêmio Sharp e Tim, compõe para vários artistas, faz vinhetas para publicidade, trilhas sonoras para curtas-metragens, Altay encontra tempo para extrair do livro “Ogundana, O Alabê de Jerusalém” uma bela e inspirada construção musical, a ópera “O Alabê de Jerusalém”, onde consegue unir todas as influências populares e eruditas que apreendeu no seu exercício com a música, ao que lhe foi dado, ainda no berço, o legado trazido pelos sons dos tambores da África, pois a ópera “O Alabê de Jerusalém”, trata-se da história do africano Ogundana, que viveu há mais de 2000 anos atrás, contada em nossos dias por ele mesmo, que hoje é uma entidade espiritual chamada “Alabê de Jerusalém”, que num dia de festa, num templo de religião de matriz africana, retorna a terra para contar sua história.

Altay achou por bem, antes de realizar a ópera em espetáculo cênico, dado que seu melhor trânsito é pelos caminhos da música, registrá-la em cd e em dvd as gravações feitas em estúdio e, o fez com esmerado capricho e eloqüência.

Gravou nos melhores estúdios do Rio de Janeiro, São Paulo e Montreal a ópera “O Alabê de Jerusalém”, com bases tocadas por grandes músicos da MPB, a Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal do Rio de Janeiro regida pelo maestro Leonardo Bruno, cantada e narrada por conceituados intérpretes da MPB e renomados atores brasileiros como: Bibi Ferreira, Leny Andrade, Ronnie Marruda, Elba Ramalho, Lenine, José Tobias, Alcione, Jorge Vercilo, Margareth Meneses, Marku Ribas, Wando, Fafá de Belém, Carlos Dafé, Lucinha Lins, Watusi, Luis Vieira, Talma de Freitas, Silvio César, Adriana Lessa, Ivan Lins, Cláudio Cartier, Cris Delanno, Ruth de Souza, Pery Ribeiro, Izabel Filardis, Selma Reis, entre outros artistas integrantes de uma ficha técnica de mais de 150 nomes.

Essa obra do Altay Veloso, “O Alabê de Jerusalém” tem tido, com unanimidade, o honroso apoio de todos os setores da comunidade artística brasileira, das instituições que trabalham para a efetiva inclusão social daqueles a quem, historicamente, tem sido negada uma participação digna na vida do país e por conta do seu conteúdo que busca o mais profundo sentimento de amor, respeito e tolerância entre as diferentes culturas, tem recebido um afetuoso abraço de entidades como a Unesco “Além de ser uma celebração cultural de alto nível, se propõe a emocionar e provocar uma reflexão sobre os temas da tolerância e da convivência pacífica entre as diferentes crenças e raças...”

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