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Fabrcia Miranda
Nacionalidad:
Brasil
E-mail:
Biografia

CONVERSA DE COMADRES

Matei esse homem com faca de aço
A vida é assim, minha filha
Se algo espeta, mete-se faca Tramontina.

Insônia

Seria feliz se pudesse dormir. Esta opinião
é d’este momento, porque não durmo.
Tenho uma indigestão na alma.
Fernando Pessoa

A paixão é essa cidade forjada de alfinetes.
Há uma porta, e eu me nego.
A tanto me custou costurar minhas córneas,
Carregar meus pés quase em necrose
E caminhar sobre os ossos de minhas canelas.
Fecho as portas por trás de mim, por onde passo
E vou ouvindo pancadas
De um íntimo que me perturba.
– Sou estranha ! Me abandonem todos !
Meu grito é uma súplica que mente.
Não tenho nenhum deus para onde levar minha alma.
Apenas sorrio aos meus avós, de mãos erguidas:
– Sim, [Deus], acredito !
E eles seguem tranqüilos para a morte.
Continuo.
Corredores, salões de bailes, catacumbas.
Fecho as portas.
E todos os íntimos me pedem notícias.


Caixa de guardados I

Deixo a quem interessar
toda boca que não beijei
que tanta sorte de beijo já dei.
Deixo a mancha de batom que não apaga
no teu copo de vinho seco.
Deixo um nome secreto para cada amigo
um sorriso sobre a testa envelhecida de minha mãe
e um espelho em que meu irmão se veja belo.

BIOGRAFIA:

Poeta carioca radicada na Bahia. Formada em Letras pela UFBA, pertence a nova geração de poetas brasileiros, publicou pela Fundação Casa de Jorge Amado/ Prêmio Copene de Revelação em Poesia na Bahia, o livro Ritos de espelho.

CONTATO:

fulanamiranda@yahoo.com.br

 

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