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Renato Suttana
Nacionalidad:
Brasil
E-mail:
Biografia
SEGREDO

A vida apenas segredo.
No h muito que saber.
Ningum precisa saber
o que contm teu segredo.

s um dizer de menos,
um nada mostrar de teu,
pois no que mostras de teu
j o mostras plido e menos.

[ s um no revelar
do enigma que jaz no fundo,
e nunca atingir o fundo
no esforo de revelar.]

A vida coisa e segredo
para o teu pouco saber:
ser o bastante saber
que h vida, coisa e segredo.

SONETO DE UM DIA QUALQUER

Vagabundo de sol e de sentido,
de no ser necessrio mais buscar,
porque qualquer caminho h de levar
ao que tenho tramado e pretendido

[sem uma comoo, sem um gemido,
na perfeio exata deste estar
deriva no que no chega a mar,
no que no leva ao porto prometido] -

basta-me ser inverno, e haver a chuva
a bater no telhado, e o dia escuro,
de um cio que me quadra como luva:

e este no progredir para um final,
que todo o meu domnio e o meu fanal,
todo o espanto que espero do futuro.

PENSO, POUCO EXISTO

Trinta e dois anos
a procurar um coelho
num labirinto de ventos.

No, no sejamos rudes.
Admitamos que algumas sombras
se formaram e que
de inverno a inverno,
de dissipao em dissipao,
uma certa flor foi colhida -
embora efmera e cinzenta.

Pensemos que um certo cansao
nos d a conscincia de que chegamos
a este ponto, seja qual for.
Sem pensarmos no que poderia
ter sido possvel [asas de vidro
numa tempestade], pensemos
que isso foi possvel -
e o cansao se acumulou.

Afinal, chegar a um ponto
[por menos consistente] chegar a um ponto,
e no ter trazido o mapa
ainda assim ter chegado,
estar aqui, depois da estrada.
Admitamos que, trabalhando
com uma hiptese improvvel,
realizamos uma hiptese: esta,
seja ela qual for.

Trinta e dois anos - o suficiente
para alguma coisa, por menos clara,
para a conscincia de alguma coisa, como,
por exemplo, murmurar: Edificou um
castelo na perplexidade.

biografia:

Natural de Barroso, estado de Minas Gerais [Brasil], Renato Suttana graduado em Letras pela Universidade Federal de So Joo del-Rei, mestre em Letras pela Pontifcia Universidade Catlica de Minas Gerais e doutor em Letras pela Universidade Estadual Paulista Jlio de Mesquita Filho [UNESP], de Assis-SP. Trabalhou como professor de ensino fundamental e mdio em escolas da rede pblica mineira, tendo sido professor da Escola Preparatria de Cadetes do Ar, em Barbacena-MG. Atualmente, leciona literatura brasileira e teoria literria no curso de Letras da Universidade Estadual do Centro-Oeste [UNICENTRO], em Guarapuava-PR. autor dos ensaios Uma potica do deslimite: o poema como imagem na obra de Manoel de Barros [dissertao de mestrado, indita em livro] e Joo Cabral de Melo Neto: o poeta e a voz da modernidade [2005]. Publicou os livros de poesias Visita do fantasma na noite [2002], Bichos [2005] e Lmina [e outros poemas] [2006].

rsuttana@arquivors.com

 

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