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Jairo Valio
Nacionalidad:
Brasil
E-mail:
Biografia

VELHA PAINEIRA

Um dia, pensamento vagando, buscando espaços, lembrei;
Velha paineira, de tantos encantos, muitos sorrisos, pensamentos além.
Testemunha viva de confidencias, juras de amor, trocas gostosas,
Será que está lá, ainda soberba, forte, balançando ao vento
Com sombra generosa, acolhedora, abrigando também os pássaros?

Busquei-a então, olhando perdido, será aqui ou então lá?
Não, um pulsar, quase um susto, o seu lugar está lá vago.
Cortaram seu cerne, maltrataram seu generoso tronco antes tão soberbo.
Triste, pensativo, virei de costas e quis conferir meu engano.
Era verdade, o seu espaço, somente espaços ocupado por ervas daninhas.

Restou-me lembranças, generosas, de duas pessoas que buscavam-na sempre.
Contemplativas, olhares perdidos em busca de horizontes amplos,
E que, numa fuga, num relance, trocavam olhares, ternos, apaixonados,
Que nunca se desmanchavam, pois tinham lances tão meigos que jamais esquecerei,
E as juras de amor, confidencias trocadas, iam além, que os ventos carregavam.

Sem destino, quem sabe tocando as nuvens, ou mesmo na rota dos pássaros,
Derramavam fluidos generosos em todos os cantos, sem desprezar ninguém.
Mesmo os incautos que não sabiam amar pelas amarguras sofridas,
Recebiam sutilezas que os sentidos vagos captavam.
Pois o amor tem dimensões amplas, ocupando todos os horizontes.

Pois é, velha paineira, lembra quais os personagens que te buscavam sempre?
Víamos a imensidão de seu tamanho e sempre a achamos criança.
Pela sua meiguice, o seu sussuro, a sua brisa que batia suave em nossos rostos.
E fazia-nos feliz, o mundo só nosso, só você e os pássaros como testemunhas?
Fomos nós, Jairo e Ondina que te amamos com a maior das amplitudes.

Jairo Valio


TEUS OLHOS

Um dia, distante,
trocamos olhares,
tímidos, furtivos,
apaixonados depois.

Casados,
frutos vieram,
de feliz união,
e os olhares,
ainda doces,
meigos se tornaram,
na condição de mãe,
ao amamentar seus filhos.

E depois,
de um fruto do amor,
netinhos vieram,
temperos gostosos,
dádivas de Deus,
e mesmo assim,
os seus olhares,
mais divididos,
muito sobravam,
para quem escolhestes.

no entanto,
na doença,
no sofrimento e na dor,
os teus olhos,
esmaecidos e tristes,
quase sem brilho,
foram se indo,
e no seu findar,
para meu desespero,
se fecharam,
sem antes me ver.

No entanto,
suas córneas,
peregrinas,
em outros olhos,
não sei onde,
se perto ou longe,
brilham de novo,
e um dia,
também vão trocar,
olhares furtivos,
tímidos, em princípio,
apaixonados depois,
assim como,
um dia distante,
também nós fizemos.

Jairo Valio

[Essa poesia composta por Jairo Válio em homenagem a sua falecida esposa Ondina, fez parte da campanha de doação de córneas do Banco de Olhos de Sorocaba].

SOLIDÃO

Triste,
Olhar perdido,
Ausente, pensante,
Relembra passado,
Que se foi num embalo,
Qual ligeira brisa que afasta as folhas.

Hoje só,
Procura horizontes,
E a vista cansada, sem brilho,
Quase opaca,
Vislumbra formas,
E na solidão forçada,
Não vê cores, nem figuras,
Muito menos as flores.

Seu perfil de antes,
Vigorosa, ousada, bem forte,
De contornos suaves,
De graça aprimorada,
Hoje já não existe,
Pois sabe, na imagem que projeta,
Que é velha, passos lentos,
Faces enrugadas, sem rubor,
Sem viço, apagadas,
Um acinte da que foi,
Na juventude de outrora.

Num canto, vazio,
Tateia formas, não encontra,
Família talvez,
Amigos, nem sempre,
E triste, desolada,
Ativa a memória,
Desgastada no tempo,
E diz ao coração:-

Fui gente,
Criei fantasias, como jovem ousei,
Dei alegrias, fui amada, amei,
Rubor na face já tive,
E porque hoje sou velha,
A família que tive,
Hoje já não tenho.
Jairo Valio

biografia:

Jairo Valio
nasceu em Pilar do Sul, Estado de São Paulo - Brasil, aos 05 de outubro de 1934, filho de Gabriel Valio e Maria Conceição Valio. Formado em contabilidade, trabalhou por 38 anos em várias instituições financeiras, como Gerente, onde aposentou-se posteriormente. Escritor, pesquisador e poeta, é apaixonado pela Literatura e escreve crônicas nos Jornais Cruzeiro do Sul de Sorocaba e O Jornal de Pilar do Sul. Foi membro do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente[CMDCA] por duas gestões também como voluntário e é Vicentino por mais de 30 anos pela Sociedade São Vicente de Paulo em Sorocaba/SP. Recebeu o Título de Cidadão Sorocabano, outorgado pela Câmara Municipal de Sorocaba, em reconhecimento da cidade pelos trabalhos em favor dos pobres e oprimidos, principalmente pelas crianças abandonadas nas ruas das periferias. É membro da Academia Sorocabana de Letras. Tem publicado o Livro Nascente das Águas e participação no Livro Antologia dos Escritores Brasileiros 2º Edição.

 

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