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Domingos Oliveira Medeiros [1945 - 2007]
Nacionalidad:
Brasil
E-mail:
Biografia
Tuas Palavras
[por Domingos Oliveira Medeiros]

Tuas palavras, quando me escreves
So coloridas
Belas palavras, da cor do cu
Azuladas e atrevidas
Infinitas, me dizem tanto
Falam de amor, e no entanto
So to sofridas

J te li em cores diversas
Do verde esperana ao amarelo
J te li em vermelho carmim
Em todas elas sempre espero
J te conheo em multicores
Teu arco-ris de mil amores
J descobri porque te quero

que me falta s uma cor
A cor que ainda no pude ler
A cor que tanto sonho com ela
A cor que um dia desejo ter Perto de mim a iluminar
A dos teus olhos a me afagar
A cor que um dia espero ver

Esse o preo que a gente paga
Na realidade de hoje, a virtual
Onde os recursos assim permitem
Falar em cores bem normal
Mas no entanto ainda persiste
O mais cobiado que no existe
Ele se esconde no irreal

........................................

ELA
[por Domingos Oliveira Medeiros]

Relembro o tempo em que tudo comeava
A minha espera por algo, por algum...por ningum.
Por esperar, somente.
De repente, a sua chegada!
Surpreendente! Duas vidas! Estranhas e apaixonadas!
Fiquei conhecendo a quem no me parecia to desconhecida.
Apertamos nossas mos? Parece que sim. No me lembro.
Falamo-nos. Falou-se de quase tudo, bem verdade.
Procurei deix-la vontade. Enquanto a observava, atento.
Seus gestos. Seu sorriso. Sua ternura. Seus mistrios.
Ansiava por novidades. E observava mais. Cada vez mais.
Enquanto ensaiava u medo de perd-la. Sem ainda entend-la.
Queria conquist-la. Que isso j fosse fato consumado.
Um pouquinho que fosse. Por alguns segundos.
Mas contentava-me com o que ela quisesse.
Ou com o que me dissesse para fazer. Que eu faria..
E, claro, sem nada exigir. Contando apenas com a espontaneidade.
Enfim, queria muito para to pouco tempo. Assim pensava.
Mas queria. Disso eu j tinha certeza.
No sabia porque, em meio tanta gente, na rua,
Ou outro qualquer lugar, s a v ia. S a escutava.
Depois, veio a primeira separao. Considerei assim.
Fiquei s. Refletindo. Ofuscado pelas cores da iluso.
E tambm dos sonhos. Cuidando para no perder a razo.
Surgiram, assim, sem cores, a primeira prosa, algumas rimas.
Muitas emoes. Muitas dificuldades tambm.
Mas resolvi insistir. Persistir.
quela altura nada mais dependeria de mim.
Tinha certeza disso. Pelo menos, exclusivamente.
Mas muito mais dela. Ou no necessariamente.
Quase que soente dela. Digamos assim.
E at hoje, nada consigo fazer sem a sua ajuda.
Amar, viver, e at escrever.
As coisas do corao,
Tornaram-se rotinas insuportveis, sem o seu auxlio.
Sem o auxlio dela.
A inspirao...

......................................

ERA UMA VEZ ...
[Por Domingos Oliveira Medeiros]

Era uma vez uma floresta. Exuberante
De rvores densas. De mata extensa
Compactada, de cores mil
Verde-amarelo. Azul e branco
As cores do nosso Brasil.
Era uma vez uma floresta
De fauna e flora gigantes
Gigantes pela prpria natureza
Envolta em escurido constante
De sombras que se formavam das rvores
Refletidas pelas folhas que do cu azul caam,
Retumbantes.

No cho, o tapete orgnico, os nutrientes, ali jaziam
O alimento ofertado, a garantia da sobrevivncia
A troca sagrada. A alquimia,
A noite e o dia, sem pressa, por ali passavam
Ao som da orquestra encantada
Dos pssaros, das guas dos riachos, dosrios plcidos,
Caudalosos e profundos
Sinuosos, em cascatas,
Caminhando para os mares de futuros almejados,
Para mares nunca dantes navegados.
Vez por outra, a floresta amanhecia
Devagar, aos poucos, em pedaos de dias
Reflexos dos raios de sol, por entre brechas e frestas,
Que aproveitavam um cochilo da floresta
E a irrompiam.

Era uma vez uma floresta
Ona-pintada de olhos atentos, amarelados
Passeando no seu cho, desconfiada,
Agarrada nas garras da liberdade,
Ento, bem cuidada!
Era uma vez uma floresta
De borboletas, milhares delas,
Hoje pintadas em versos e em cores,
em belos quadros de aquarelas.

Era uma vez uma floresta
O peixe-boi, a ararinha azul e o mico-leo dourado
O boto cor-de-rosa, o ouro enterrado
A tartaruga, a baleia, a mata atlntica
E at a mata do cerrado.
Nada foi poupado.
O jacar do papo amarelo que o diga, foi desbancado
Pelo maior predador da natureza,
O BICHO-HOMEM,
ivilizado.

Aproveitando alguma brecha ou outra fresta ...
Inaugurou o fim da floresta
Da qual, muito pouco ainda resta.
A poesia j no existe, j no se presta
Para cantar, em verso ou prosa, tanta desgraa
O som da serra eltrica a todos emudece...
Os rios viraram estradas de destino incerto
Caminhos por onde passam os restos mortais do paraso
Futuros caixes, destino de todos ns, por certo,
Em forma de troncos e pedaos de madeira
A ganncia e a insensatez,
Sem limites, sem fronteira.

O fogo abre campos na mata
A moda da economia est na moda...
A soja e o pasto, o novo tesouro,
No jogo do mercado financeiro
De cartas e interesses marcados,
Vale muito dinheiro, um simples besouro.
Vale mais que o s de ouro,
No dizer da cano lembrada,
Situao que fica mais agravada, afinal,
Pelo contrabando das riquezas do antigo reino
Animal, vegetal e mineral.
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'Se as vezes digo que as flores sorriem
E se eu disser que os rios cantam,
No porque eu julgue que h sorriso nas flores
E cantos no correr dos rios...
porque assim fao mais sentir aos homens falsos
A existncia verdadeiramente real das flores e dos rios'


[Fernando Pessoa]

'O contato com a natureza , em si mesmo, algo profundamente regenerador, assim como a contemplao do seu esplendor conduz paz e serenidade.'

[[Joo Paulo II]

biografia:

DOMINGOS OLIVEIRA MEDEIROS
, nasceu em Pombal, cidade encravada no serto do Estado da Paraba, no Brasil. Formado em Administrao de Empresas, com especializao em Recursos Humanos, servidor pblico federal aposentado pelo Ministrio Pblico da Unio. Poeta, escritor e cordelista, influenciado pelo seu melhor companheiro, Anzio Medeiros, seu pai, j falecido, mestre de alfaiataria, msico e poeta autodidata. Domingos possui vrias obras publicaas: Sonhos & Pesadelos, Fragmentos do Cotidiano, reunindo contos, ensaios, monlogos, crnicas e artigos de temtica variada. Seu ltimo, em prosa e cordel, Com Humor e Com Afeto, uma stira poltica acerca do atual governo do seu pas. Possui, ainda, participao em vrias antologias nacionais e internacionais, entre as quais a mais recente 'Cantos do Mundo', lanada em Portugal e no Brasil. Acredita em Deus e na utopia de um mundo melhor pela via da educao e cultura.
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Sua indicao para integrar esse seleto grupo de sonhadores em potencial, culpa exclusiva de sua parceira de arte e amiga MARIA DO SOCORRO XAVIER, professora universitria, pesquisadora, poetisa e escritora, e grande incentivadora da cultura popular brasileira, em especial a literatura de cordel.

 

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