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Rose Arouck
Nacionalidad:
Brasil
E-mail:
Biografia
TEU MUNDO NO O MEU

Teu mundo no o meu;
Tem muito espinhos nas estradas,
Tem corvos em passaradas
Rumo ao lixo que comeu...

Buscam em bando a carnia
Do resto morto que atia
Para em lutas devorar.
Teu mundo no me pertence;
Disputas pra ver quem vence
Na fria que se sustente
Pra correr e abocanhar...

um mundo vagabundo,
Sorrisos roem falsos fundos
Pondo a corja a gargalhar.

Tem dementes que alvitram os males
Em seus revezes miserveis
Cobrindo-se de podrido.
um universo descabido
Sustentando corpos que havido
J no querem a ascenso.

Pobre mundo caricao!
Faustos lgubres em aparato
Surge perdendo a razo...
Eu no perteno a ele no!

Teu mundo falta a cor,
O cinza sobra onde for
Espalhados pelos vos...

Brincando zombam do amor,
Chorando falseiam a dor
Pra ganhar um afago irmo...
Esse no meu mundo, no!

EU RAIZ...

Eu raiz...
Fincada no solo da vida,
Sou uma prenhe que brotou prole parida
E amamentou com leite de pedra vencida
Frutos que de to maduros dos galhos cairam
Esparramando a sobra na sombra matriz.
Eu raiz...
Semente nascida do ventre da cura
Rangendo os dentes ardida e segura,
Perptua tangida dos lbios de Deus,
Furtiva aliana de um solo ateu
Partindo o sentido frtil que diz;
Eu raiz...
Puxada pra fora do estrume dos medos
Rompida em adubos dos falsos enredos
Que sorve a saliva da lngua da terra,
Putrefa e digere na fora que encerra
Com vida sede bebida em barrs.
Eu raz...
Sufoco-me e canto pr embrenha da luta,
Estico meus troncos na curta permuta
E confundo-me fundo com o fogo alazo;
Laando em juncos a sorte da mo
Que ferve poeira na beira do cho
E funga animosa, destrosa, o nariz.
Assim me diluo em teto de crosta
Sorrindo e chorando com minha voz posta,
At que descubro-me a viver por um triz.

PARA DETER O MAL QUE AVANA

Trago dentro de mim a essncia pura da poesia;
Aquela que invade a alma
Sobrepondo-se a qualquer trauma
Vencendo a dor pela alegria.

Esparramam-se como se calda fosse
Cobrindo o lodo que trepida doce
Purificando os lbios com frase fosca e fria;

E assim vai cicatrizando o dorso de um tempo
Mesquinho e mau...
Fincando cruzes de arame farpado
No mago da pergunta fatal.

Sobrecarregando a dvida
com o peso inclume da agonia,
Vai empurrando o carrasco da estupidez
Que lhe alinhava a fantasia.

Enquanto isso, a mera coincidncia ancoraNo porto vazio da conscincia,
Onde atraca
A certeza da falsa intuio...
Os seus conceitos esfarrapados esparrama-se pelo cho
E a falsidade sai pisando no duro solo da incompreenso,
At ser detida pela cega monotonia
Que lhe apunhala pelas costas;

Nem seu grito abafado encontra as respostas,
Mas, suas mos mantm o dedo posto em direo
At calar-se de vez mudando a rota
Para morrer de tdio na solido que lhe esgota.

biografia:

Rose Arouck
poetisa, jornalista, dramaturga, contista. Nascida em Belm do Par.
Atuou por 14 anos na rea da imprensa, em diversas funes na Bahia.
Participou em diversos movimentos polticos contra a ditadura.
Hoje mora na cidade mgica de Rio das Ostras, usufruindo da natureza como naturalista e sorvendo a beleza das praias fantsticas traduzidas em grande parte de seus poemas.

 

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